As histórias em quadrinhos apresentaram personagens com os mais diversos poderes, em diversas narrativas e formatos, mas demorou para representar a população negra e seus heróis.

Onde estavam os negros nas HQs americanas?

POR:  victor lacerda

Por anos, a figura tradicional encontrada nas HQs centralizavam a figura do super-herói como um branco e que salvava o dia. Só com o tempo e com os feitos de próprios criadores negros, as histórias puderam ser contadas de uma outra perspectiva.

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Apesar da grande produção gráfica japonesa, referência em HQs, no ocidente, a linguagem tomou outra forma. Os super-heróis tornaram-se sinônimos de histórias em quadrinhos. Em sua maioria não-negros, dotados  de poderes, que, normalmente, combatiam a insegurança.

Reprodução:  DC Comics 
ilustração: Dora Lia Gomes

Mesmo com o diferencial da linguagem, dos desenhos e formato de leitura, uma questão seguia: onde estavam as outras representações e possibilidades de super-heróis desde a criação das histórias em quadrinhos?

Assim como no Brasil, a representação humana e estética de negros e negras nos quadrinhos norte-americanos, berço pela difusão da linguagem mundo afora, foi influenciada por conceitos racistas e ideias estereotipadas.

ILUSTRAÇÃO: dora Lia Gomes

Só o contexto racialmente segregado vigente nos Estados Unidos dificultou a aparição negra em HQs por décadas. Quase sempre como coadjuvantes, negros e negras eram utilizados nas histórias para causar humor, dentro de papéis retratados de maneira degradante.

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Como reação à isto, a comunidade negra dos EUA passou a incentivar a produção de quadrinhos que colocassem a pele escura como foco e sem estereótipos. No século XX, entre as décadas de 20 e 30, histórias como Bungleton Green (Leslie L. Rogers), Sunnyboy Sam (Wilbert Holloway), Bucky (Sammy Milai) e Susabelle (Elton Fax), buscaram representações mais justas.

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O personagem negro Lothar foi um dos mais destacados dos quadrinhos americanos. Entretanto, mesmo sendo herdeiro de uma tribo africana na história, Lothar usava roupas que não representavam a cultura de África em sua realidade e era tido como ignorante por não falar inglês "corretamente".

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Só no final dos anos 40 inaugurou-se um novo capítulo para a produção de personagens negros dos EUA. Ao pensar nessas contradições de representação, o jornalista negro e militante, Orrin C. Evans decidiu transformar seu inconformismo em uma nova ideia.

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Em junho de 1947, Evans cria a primeira revista de quadrinhos totalmente negra no mercado americano: a All-Negro Comics.
A publicação possuía 48 páginas e era vendida a 15 centavos. Buscava colocar a figura negra no mainstream dos quadrinhos. 

Reprodução: Marvel Comics Group

Na sua visão, super-heróis e personagens negros poderiam tornar-se referenciais positivos para os jovens daquela geração segregada. Ideal que abriu portas e espaço para as gerações seguintes, com a chegada de personagens como Ace Harlem, Lion Man and Bubba, e, junto com a agitação racial nos EUA, em 60, o Pantera Negra. 

Reprodução: Marvel Comics Group

Retratado com  grande força, resistência, agilidade e reflexos, o personagem altera a narrativa pré-estabelecida ao desenvolver sentidos aguçados. Personagem que antecedeu a criação outros super-heróis negros importantes, como o Falcão e Luke Cage.

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De lá para cá, o cenário foi mudando e, mesmo com a representatividade não acompanhando a realidade racial em proporção de personagens, mulheres negras também puderam ser representadas, como a ‘Mulher-Aranha’, Nightshade, da Marvel e a mais famosa: Tempestade, em 1975.

TEXTOS
Victor Lacerda

IMAGENS
DC Comics 
Marvel Comics Group
Amazon
Geek Outsider 

DESIGN
Dora Lia Gomes

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