O racismo presente na obra do “pai da literatura infantil”

um pai eugenista

Monteiro Lobato,

POR:  Giovanne ramos

Monteiro Lobato integrou a Sociedade Eugênica de São Paulo, fundada em 1918. O movimento político, cultural e social pregava a superioridade da raça branca e o extermínio da raça negra.

Acervo Rádio MEC

A eugenia serviu como alicerce para as constituições federais de 1934 e 1937, sendo, inclusive, determinante às diretrizes do sistema educacional brasileiro.

Lobato trocou cartas com homens como o médico Renato Kehl, um dos principais eugenistas em atuação na época e, em tais escritos, sequer disfarçou sua aversão aos negros.

Monteiro Lobato morou nos Estados Unidos e tentou publicar por lá “O Presidente Negro” (ou “O Choque das Raças”), livro de ficção científica direcionado aos adultos.

Ao longo do texto é apresentado um equipamento que permite ver o futuro chamado "porviroscópio". O equipamento revela que em 2228, um homem negro seria eleito presidente dos Estados Unidos.

Na mesma obra, os brancos (homens e mulheres) se revoltam com o resultado e distribuem um alisante para os cabelos dos negros, com uma substância esterilizante.

Devido ao teor racista, Lobato teve esta obra recusada por cinco editoras americanas. Frustrado, lamentou com os amigos não ter publicado por lá antes, quando a violência contra os negros era explicita.

De volta ao Brasil, decidiu escrever para crianças. Era pai e sentia falta de uma literatura infantil. Mas em cartas para amigos eugenistas, declarou que seguiria propagando os ideais eugênicos.

Em “Caçadas de Pedrinho e Histórias de Tia Nastácia”, a personagem negra, que trabalha como cozinheira da casa grande de Dona Benta, é xingada em vários momentos com termos como "negra beiçuda".

CAPA DO LIVRO: HISTÓRIAS DE TIA ANASTÁCIA

Muitos dos xingamentos partem da personagem Emília, boneca de pano conhecida pelo seu temperamento áspero, o que dava uma ‘voz autorizada’ para propagar todo tipo de violência.

O Sítio do Picapau Amarelo cumpriu o seu papel de propagar os ideais eugênicos. Cumpriu tão bem que foi realmente pelo faz de conta que o autor pôde se expressar sem fazer alarde.

Sua obra está nas escolas públicas, especialmente nas periferias onde as crianças matriculadas são majoritariamente negras, mas se dependesse do movimento eugenista, elas não existiriam hoje.

Monteiro Lobato foi um racista declarado, engajado ao movimento eugênico. Ele segue altamente perigoso, vide a blindagem que recebe pelo status de cânone literário.

Quantos escritores e escritoras negras e indígenas as grandes editoras (que se desdobram por Monteiro Lobato, inclusive) já publicaram?

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