Referência para a cultura negra latino-americana, Victoria Santa Cruz fez sua arte transcender os limites peruanos com mensagens que ecoam por toda a América.

“Gritaram-me negra!”

POR:  caroline nunes

Poeta, estilista, coreógrafa e folclorista, a peruana Victoria Eugenia Santa Cruz Gamarra é uma figura multitalentosa e histórica para toda a população negra da América.

Foto: Musica Criolla

A arte esteve sempre presente ao longo de sua existência e constituiu como o principal canal para a auto expressão de sua identidade negra. Ela posicionou-se contra o racismo em uma sociedade que a pele negra incomodava.

FotoS PARA "ODIN TEATRE" DA DINAMARCA

A chamaram de negra e ela gritou de volta compondo um dos poemas e expressões antirracistas mais icônicos da história. Usou sua história de vida para falar das aflições de milhões que vivem no continente americano.

pRINT DO VÍDEO "GRITARAM-ME NEGRA"

E odiei meus cabelos e meus lábios grossos e mirei apenada minha carne Tostada E retrocedi
Negra!
E retrocedi
Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! 

VÍDEO: gRITARAM-ME NEGRA

O trabalho de Vitória Santa Cruz foi importante ao discutir as identidades negras nas sociedades latino-americana, sobretudo no Peru. Foi criadora do grupo teatral Cumanana, ao lado de seu irmão Nicomedes Santa Cruz, algo semelhante ao Teatro Experimental do Negro no Brasil.

Foto: ARQUIVO VICTÓRIA SANTA CRUZ

Estudou em Paris em 1961, na Universidade de Teatro das Nações e na Escola Superior de Estudos Coreográficos. Lá desenvolveu conceitos e ideias que a levaram a criar a companhia Teatro y Danzas Negras del Perú ao voltar da Europa.

Foto: ARQUIVO VICTÓRIA SANTA CRUZ

O trabalho com a companhia rendeu algumas apresentações, como representante peruana nos Jogos Olímpicos de 1968, na Cidade do México, por exemplo. Viajou pelo mundo difundindo a perspectiva cultural afro-peruana e afirmando a importância do combate ao racismo, ao preconceito e à discriminação racial.

Foto: RHT Photographics Archives

Alisei o cabelo,
Passei pó na cara,
e entre minhas entranhas sempre ressoava a mesma palavra
Negra! Negra! Negra! Negra!

VÍDEO: gRITARAM-ME NEGRA

Suas apresentações pelos Estados Unidos, em 1969, lhe renderam convites para virar professora universitária. Lecionou na Universidade Carnegie Mellon, na Pensilvânia, sendo uma das poucas mulheres negras latino-americanas a alcançar o posto de docente vitalícia da instituição.

imagem: ILUSTRAÇÃO DE VINÍCIUS DE ARAUJO

No Peru, também foi nomeada diretora do Centro de Arte Folclórica de Lima e dirigiu o Instituto Nacional de Cultura peruano entre os anos de 1973 e 1982. Tendo alcançado feitos notáveis tornou-se uma referência incontestável da cultura negra ocidental.

imagem: cultura peru

E bendigo aos céus porque quis Deus
que negro azeviche fosse Minha cor
já compreendi AFINAL
Já tenho a chave!
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO

VÍDEO: gRITARAM-ME NEGRA

Victoria Santa Cruz é um dos maiores símbolos da resistência  negra. Morreu aos 91 anos de idade em 30 de agosto de 2014. Sempre atuante, deixou um legado capaz de atravessar gerações não apenas para cultura peruana, mas para toda a cultura negra das Américas.

TEXTOS
Caroline Nunes

IMAGENS
Música Criolla/ Odin Theatre/ Arquivo Victória Santa Cruz/ Alma Preta/  Cultura Perú 

DESIGN
Vinícius de Araujo

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