A contestação de informações inverídicas, apesar de ser tema atual, é de origem histórica; conheça a Sociedade Petalógica de combate às ‘fake news’

'Fake news' no séc. 19

arte:  Dora Lia gomes POR:  vitor lacerda

Mesmo sendo um termo utilizado muito nos últimos anos, inclusive no que diz respeito à política, o combate à propagação de informações mentirosas não é de hoje.

imagem: reprodução da internet 

No século 19, para dificultar a desinformação no Brasil, foi criada a Sociedade Petalógica (“peta”, que significa “lorota”), que identificava e desmascara as mentiras que movimentavam a política da época. 

imagem: reprodução 

A Sociedade surgiu em 1840, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, e foi organizada e liderada pelo tipógrafo, jornalista e intelectual negro Francisco de Paula Brito, pioneiro na imprensa negra brasileira.

imagem: Augusto Malta 
Bairro do Catete, RJ - 1906 

Paula Brito foi editor do jornal ‘Homem de Cor’ - o primeiro a ter a questão racial como foco -, da obra ‘O Mulato’ - clássico de Aluísio de Azevedo - e dos primeiros textos de Machado de Assis.

imagem: Reprodução / Nova Escola

Com a Sociedade, o jornalista conseguiu reunir grandes intelectuais, poetas, artistas, abolicionistas e pessoas do povo para investigar e desmascarar os mentirosos com bom humor e ironias. Era uma iniciativa de vanguarda na checagem de ‘fake news’.

- nome da pessoa que fez a citação

A atuação da Sociedade Petalógica no combate às mentiras que circulavam na capital federal e a denúncia dos propósitos por trás dessas histórias inventadas durou cerca de 20 anos e reuniu diversos apoiadores, entre eles o escritor Machado de Assis. 

imagem: Acervo / Arquivo Nacional 

Machado passou a frequentar as reuniões ainda aos 17 anos e citou a Sociedade em vários dos seus textos no futuro. Para o autor, a pluralidade de assuntos foi a marca da Sociedade Petalógica. 

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“Onde ia toda a gente, os políticos, os poetas, os dramaturgos, os artistas, os viajantes, os simples amadores, amigos e curiosos, – onde se conversava de tudo – desde a retirada de um ministro até a pirueta da dançarina da moda; onde se discutia tudo, desde o dó de peito do Tamberlick até os discursos do marquês de Paraná”,
 escreveu o autor. 

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Também eram membros da Sociedade Petalógica os poetas Gonçalves Dias e Laurindo Rabelo; os romancistas Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida e Teixeira de Souza; e os compositores Francisco Manuel da Silva. Além de artistas como Manuel Araújo e João Caetano dos Santos.

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Durante os encontros, foram criadas músicas, modinhas, crônicas e textos contra as mentiras que circulavam pelo país. 

imagem: reprodução

A dinâmica da época também rendeu estudos posteriores e resultou em obras como o livro “Corpo sem cabeça: o tipógrafo-editor e a Petalógica” (2018), do professor Bruno Martins, lançado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

imagem: Divulgação / Editora UFMG 

TEXTOS
Victor Lacerda

IMAGENS
Nova Escola
Editora UFMG
Augusto Malta   

DESIGN
Dora Lia Gomes

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