Como a discriminação racial impacta o desenvolvimento infantil

EDUCAÇÃO E RACISMO
ilustração: vinícius de araujo por: giovanne ramos

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O racismo estrutural é um meio de negar que o racismo exista como um sistema de discriminação e hierarquização baseado na desigualdade racial e que impacta diretamente na educação infantil.

Ao naturalizar ou presumir que todos têm direitos iguais, se esconde o quanto as crianças negras são prejudicadas em um sistema que privilegia pessoas brancas, inclusive no âmbito educacional.

No período da escravidão do Brasil, por exemplo, as crianças negras tinham uma infância curta, pois deviam realizar trabalhos domésticas desde muito novas.

Em relação aos cuidados de crianças negras escravizadas, muitas das mães se ocupavam com os afazeres e com as crianças da casa-grande, tendo que deixar a educação dos próprios filhos em segundo plano.

O racismo ainda é uma experiência adversa para as crianças, que são oprimidas pela cor de pele desde os primeiros anos de vida.

Foto:  arquivo pessoal

A experiência de ser uma criança negra no Brasil ocorre na adversidade, e durante sua experiência infantil, traumas podem ser desencadeados devido às suas dimensões impactadas pelo racismo.

Algumas das dimensões de desenvolvimento infantil que são impactadas pelo racismo são: autoconfiança, saúde física e mental, aprendizado e oportunidades para adquirir conhecimentos e habilidades.

Foto:  arquivo pessoal

Esse impacto, junto da hierarquia racial estruturalizada pode, inclusive, contribuir com a exclusão das crianças negras nas escolas em razão da cor da pele ou indagações de sua identidade racial.

Foto:  arquivo pessoal

Outro ponto também negligenciado durante a educação de uma criança negra nas escolas é a construção de uma identidade positiva de pessoas negras, prevista nos princípios éticos da educação infantil.

Mas e as(os) educadores negras(os)? Esses também são vítimas da hierarquização social pela raça e das práticas pedagógicas racistas, podendo internalizar o racismo e replicá-lo inconscientemente.

Políticas públicas como a criação de um programa federal que incentive escolas de educação infantil a adotarem práticas que promovam a equidade racial são fatores imprescindíveis para reparação do ambiente.

Ofertas regulares de formação continuada para profissionais da educação, contemplando as relações étnico-raciais, também é um caminho que pode gerar efeitos positivos na educação de crianças negras.

O material foi baseado no documento ‘Racismo, Educação Infantil e Desenvolvimento na Primeira Infância’, publicado pelo Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância.

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