O que é esse fenômeno que se desenvolve de maneira semelhante à apropriação?

blackfishing

POR:  Giovanne ramos

Desde 2018, uma nova onda entre os influenciadores na internet vem crescendo, uma prática já conhecida e que recentemente recebeu o nome de “blackfishing”.

O termo em inglês deriva da palavra “catfishing”, que significa impostor. Nesse contexto, “blackfishing” é a prática de uma pessoa branca usar de elementos próprios da cultura negra.

Nesse fenômeno, as pessoas usam características étnicas com o intuito de tirar proveito pessoal dessa identificação. A prática tem crescido junto à representatividade negra nos debates raciais.

Além dos cabelos, estilos e trejeitos, as pessoas chegam ao ponto de usarem diversas camadas de bronzeadores até adquirirem um tom de pele negro, conhecido pelo tom de moreno claro.

A prática é racista de diversas maneiras, desde a pessoa que pratica o “blackfishing”, protegida por seus privilégios, às seguidoras que usam um escudo neoliberal de direitos da mulher.

Empresas que buscam representatividade hoje, se valendo do colorismo para invisibilizar os negros mais retintos, e levando uma ilusão de inclusão para suas marcas, também reproduzem o ato racista.

Um sobrenome que sempre é mencionado quando o assunto é “blackfishing” e apropriação cultural é o Kardashian, família que ficou famosa na mídia e que é modelo para milhares de pessoas no mundo.

Com o “efeito Kardashian”, houve um aumento na procura de procedimentos estéticos para aumento de lábios, seios e glúteos, características que sempre foram motivos de zombaria para negros e negras.

Um exemplo disso é a história de Sarah Baartman, mulher negra africana, que foi exposta como atração circense em Londres e Paris por conta do tamanho exacerbado de suas nádegas.

No Japão, há alguns anos existe uma tribo chamada B-stylers, que praticam o "B-style", contração do termo "Black lifestyle", que em tradução livre significa "estilo de vida negro".

Esses jovens se bronzeiam em clínicas, usam maquiagens escuras e estruturam seus cabelos naturalmente lisos, fazem tranças ou aplicam extensões para parecer o mais afro-americano possível.

As consequências do ato individual dessas pessoas, que têm o poder de influenciar outras milhões, geram impactos gigantescos que fortalecem as estruturas racistas, que violentam pessoas negras.

Diariamente estruturas racistas discriminam e matam negros e negras com as mesmas características que pessoas brancas querem ter praticando o “blackfishing”.

Quando se fala do Brasil, um país com uma herança escravocrata ainda recente, onde a maior parte da sua população é negra e com uma grave distorção da sua identidade racial, temos um problema sério.

Apropriação é a retirada de algo pertencente a um povo, etnia ou cultura, de forma industrializada e vendida como uma mercadoria e, nos casos de blackfishing, uma maneira de conseguir curtidas.

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