Responsável por combater o racismo ainda no século 20, Maxwell Alakija testemunhou o preconceito racial em sua vivência na Bahia. Africano letrado, o advogado tinha a militância pela igualdade racial como algo intrínseco em sua vida.

saiba quem foi Maxwell de Assumpção Alakija

O “advogado
da raça”:

texto original: henrique oliveira  POR:  victor lacerda

Reconhecido na história como advogado da raça, pelo jornal 'Getulino', que foi fundado em Campinas, em 1923, por três homens negros, Maxwell Alakija ficou conhecido por escrever cartas para a imprensa baiana denunciando o racismo.

foto: joanna kosinska via unsplash

O advogado nasceu em Lagos, na Nigéria, no ano de 1871 após seus pais, Marcolino da Assumpção e Maximiana Carlota Ribeiro, nascidos ‘livres’ no Rio de Janeiro, retornarem para África.

imagem: the city of loango 

Envolvida com o comércio de algodão, sua família teve importante peso na política e na religião na cidade de Abeokuta. Característica que passou de geração para geração.

Reprodução: Museu Afro-Digital da Memória Africana

Aos 10 anos de idade, Maxwell conhece o país dos pais, chegando a morar na Bahia no ano de 1881. Vinte e dois anos depois, se forma na Faculdade Livre de Direito da Bahia


ANIMAÇÃO: ALMA PRETA

Sua trajetória acadêmica foi marcada pela valorização da sua identidade africana – iorubá, algo que carrega até no sobrenome. 'Alakija' é uma expressão do 'nacionalismo iorubá', de 1890, como resultado dos conflitos políticos com o Império Britânico no continente africano.

colagem: i'sis almeida/alma preta

Ao morar em Salvador, nas últimas décadas do últimas do século XIX, testemunhou o racismo e os limites impostos à cidadania da população negra, chegando a publicar uma carta, posteriormente, contra a postura do então presidente Epitácio Pessoa.

Reprodução: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia

Maxwell discordava ferrenhamente da decisão do gestor de ter proibido que pessoas negras fizessem parte da guarda de honra do rei Belga, que visitava o Brasil para compromissos diplomáticos.

Acervo Itaú Cultural

E sua militância foi além dos jornais, pois Maxwell Alakija atuou ainda na alfabetização de trabalhadores, sendo convidado, em 1915, pela Sociedade Beneficente dos Maquinistas, para dar aula à noite para maquinistas analfabetos.

CRÉDITO: ART TOWER VIA PIXABAY

Quatro anos depois, em 1919, Maxwell se elege como presidente da Sociedade, representando os interesses dos trabalhadores que, em sua maioria, tratavam-se de pessoas negras que necessitavam de auxílios.

foto/reprodução: página greve geral na bahia, 1919

Uma curiosidade é que, anteriormente, em 1913, já gostaria de representar o povo e a causa negra, quando se candidatou à vaga de deputado estadual, mas não obteve votos suficientes.


simulação: alma preta

Seus esforços para o avanço na igualdade racial lhe renderam uma pesquisa do historiador baiano Sivaldo Reis, que publicou um livro pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), sobre sua vinda à Bahia e os impactos de suas ações.


Reprodução: CULTNE ACERVO

Intitulada ‘Maxwell Assumpção Alakija – A trajetória e militância de um africano na Bahia (1871 - 1933)’, a obra é resultado da admiração
do autor.


imagem: divulgação

"um homem sensível aos problemas de Salvador Como a escolarização dos mais pobres e o racismo, que se mobilizou tanto no plano individual quanto coletivamente. a favor da cidadania da população negra, numa sociedade recentemente saída da escravidão”.

- Sivaldo Reis
sobre Maxwell Alakija

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Henrique Oliveira

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Joana Kosinska e Art Tower via Pixabay
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