QUILOMBO / Sábado, 05 Setembro 2020 13:00

Roque Ferreira, das ruas e lutas à memória eterna do povo negro

O histórico militante negro e socialista Roque Ferreira deixa legado inspirador na luta contra o racismo e a desigualdade, após não resistir à batalha contra a COVID-19

Texto / Solon Neto I Imagem / Reprodução

Na sexta-feira (4), faleceu Roque José Ferreira, aos 65 anos, após complicações relacionadas à COVID-19. Roque estava internado desde o dia 22 de agosto no hospital Beneficência Portuguesa, em Bauru-SP, onde residia.

O Alma Preta, que foi fundado na cidade de Bauru, lamenta profundamente o falecimento e se solidariza com a família e amigos de Roque Ferreira, uma das figuras mais inspiradoras da cidade, um grande brasileiro e um homem negro que atuou a vida toda contra o racismo e a desigualdade.

Nascido em Birigui-SP, em 15 de maio de 1955, Roque foi membro fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) e atualmente era filiado e presidente municipal do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), partido no qual era uma das lideranças da Esquerda Marxista, pela Corrente Marxista Internacional. Roque deixou o PT em 2015 por discordar das posições conciliatórias assumidas pelo partido.

Roque, que dedicou a vida à luta contra o racismo e o capitalismo, era coordenador nacional do Movimento Negro Socialista (MNS), tendo sido anteriormente militante do Movimento Negro Unificado (MNU). Além disso, teve atuação longa e orgulhosa no Sindicato dos Ferroviários, um dos símbolos da cidade de Bauru.

Militante incansável por mais de 40 anos, passou pela clandestinidade durante o período da Ditadura Militar, quando era metalúrgico em Campinas-SP, e foi candidato em todas as eleições desde a redemocratização, seja pelo PT ou pelo PSOL. Atualmente, era pré-candidato a prefeito de Bauru.

Eleito vereador na cidade do interior paulista em 2008 e 2012, Roque era conhecido pela atuação firme, transparente e democrática em defesa dos Direitos Humanos e dos trabalhadores, estando presente ao lado de movimentos sociais em momentos de dor e de alegria.

Da tribuna da Câmara, de cima de carros de som, ou em reuniões menores, Roque denunciava sistematicamente os abusos das elites locais e defendia sem trégua os direitos dos mais humildes, que em Bauru, assim como na maior parte do país, são de maioria negra.

Figura central na política local, Roque era conhecido e respeitado pelas coordenações nacionais dos partidos e movimentos nos quais atuou, e seu falecimento rendeu incontáveis homenagens dentro e fora dos movimentos políticos.

Ao longo da pandemia, Roque foi crítico da atuação errática dos governos, ajudou em campanhas de solidariedade para arrecadação e distribuição de alimentos, e denunciou as dificuldades impostas aos mais pobres no transporte público e no comércio local em meio à necessidade de isolamento e proteção da vida.

Roque deixa esposa, filhos, e um número incontável de amigas e amigos. São várias gerações de trabalhadores, jovens negras e negros, que tiveram em sua imagem e trajetória um exemplo de dignidade e atuação na defesa da igualdade, do socialismo, e da luta contra o racismo.

Roque Ferreira, presente, nas ruas e nas lutas!

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