POLíTICA / Terça, 13 Julho 2021 12:08

Vereador é denunciado após afirmar que 'negro de verdade' é 'negro de alma branca'

Bancada do PSOL acusa Arnaldo Faria de Sá de discriminação após comentário sobre ex-prefeito Celso Pitta

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Câmara dos Deputados

arnaldo faria de sá, vereador que usou expressão racista
Introdução:

Bancada do PSOL acusa Arnaldo Faria de Sá de discriminação após comentário sobre ex-prefeito Celso Pitta

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Câmara dos Deputados

O vereador Arnaldo Faria de Sá (Progressistas) irá enfrentar a Corregedoria da Câmara dos Vereadores de São Paulo por ter usado uma expressão racista durante pronunciamento virtual. Na tarde da segunda (12), o Faria de Sá disse que o ex-prefeito Celso Pitta era um “negro de verdade, um negro de alma branca, como as pessoas costumam dizer”.

A frase foi dita durante uma fala sobre a relação do vereador com o ex-prefeito, que na época enfrentava um processo de impeachment acusado de corrupção. Antes de ser prefeito, Pitta foi secretário de finanças de Paulo Maluf.

 

“Eu me preocupei com um negro, que era o Pitta, o prefeito da capital, que estava escorraçado, estava sendo atacado, vilipendiado. Derrotei o impeachment, ele levou seu mandato até o final”, disse o vereador que era aliado do ex-prefeito. Pitta deixou a prefeitura em 2001.

A bancada do PSOL apresentou nesta terça (13) uma denúncia contra Faria de Sá na Corregedoria da Câmara. Segundo a acusação, o vereador cometeu uma infração grave por "praticar, induzir ou incitar, em plenário ou fora dele, a discriminação em razão de gênero, origem, raça, cor, idade, condição econômica, religião e quaisquer outras contra de seus pares ou cidadãos" - uma das infrações previstas no Regimento Interno da Câmara.

O PSOL também decidiu fazer uma denúncia ao Ministério Público por crime de racismo, de acordo com o previsto na lei 7.716/89, que pode levar a uma condenação de até cinco anos de prisão. No processo da corregedoria, a punição pode variar entre uma advertência até a perda do mandato.

“A população negra de São Paulo não merece ter um representante que fale dessa forma. É uma fala que ofende a honra e a dignidade de toda população negra. Temos muito orgulho de ser um mandato fruto do movimento negro brasileiro, e não seremos interrompidas pelo racismo daqueles que não se conformam com a nossa atuação e pautas”, diz a nota da mandata coletiva Quilombo Periférico sobre o caso.

Faria de Sá foi deputado federal por oito vezes e deputado constituinte em 1997. A base eleitoral do vereador é o Jabaquara, na zona Sul da capital paulista. Na eleição de 2020, ele recebeu 34 mil votos.

A vereadora Erika Hilton, presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, disse que “racismo no Brasil é crime e não pode ser tolerado mais, principalmente na Casa Legislativa da maior cidade do país”.

O vereador Faria de Sá assumiu o erro e pediu desculpas pela expressão. “Não quero discutir com ninguém. Só quero pedir desculpas humildemente”.

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