POLíTICA / Quarta, 31 Março 2021 14:24

Rua em homenagem a bandeirante destruidor de Palmares pode mudar de nome

Mudança foi proposta pela vereadora Luana Alves (PSOL) e faz parte de um manifesto que resgata e valoriza a herança negra da maior cidade do Brasil

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Reprodução/Quadro do pintor Benedito Calixto

Bandeirante Jorge Velho foi o destruidor do Quilombo dos Palmares
Introdução:

Mudança foi proposta pela vereadora Luana Alves (PSOL) e faz parte de um manifesto que resgata e valoriza a herança negra da maior cidade do Brasil

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Reprodução/Quadro do pintor Benedito Calixto

Por mais de 100 anos o Quilombo dos Palmares foi a localidade onde  negros e indígenas viviam com dignidade e livres. Palmares foi destruído pelos ataques comandados pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, cuja morte completa 316 anos no dia 2 de abril de 2021.

O bandeirante responsável pela queda do quilombo que chegou a ter mais de 20 mil habitantes é homenageado com o nome de uma rua de mão única, com pouco mais de 300 metros, no Bom Retiro,  bairro da região central da cidade de São Paulo.

 

A mobilização do movimento  “São Paulo é Solo Preto” busca a alteração do nome da rua que homenageia o bandeirante para “Zumbi Vive”. A mudança faz parte de um projeto de lei da vereadora Luana Alves (PSOL).

“Quando a gente anda pela cidade e vê nomes de bandeirantes, de escravocratas e nomes dos nossos algozes, a gente está falando sobre o presente, que está passando um recado de que eles, os escravocratas, bandeirantes e colonizadores, são os vencedores e que eles mandam na cidade. Então é importante essa luta por memória, história e território”, afirma a parlamentar.

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A proposta é um apoio à luta do movimento Zumbi Resiste, organizado por alunos da Universidade Zumbi dos Palmares, entre outros, que buscam a retirada da homenage ao bandeirante Jorge Velho.

“É importante falar sobre a história do povo negro e resgatar corretamente o seu protagonismo. Falar que, infelizmente, foi a escravidão que sustentou o desenvolvimento da cidade e não os chamados ‘heróis’ escravocratas”, analisa Luana.

'A memória é política'

A campanha “São Paulo é Solo Preto” está no ar com um site para recolher assinaturas de apoio ao manifesto. “São Paulo foi uma cidade feita pelos pretos e esse resgate precisa ser feito”, comenta a vereadora.

O manifesto fala sobre a importância também da preservação da memória de territórios negros como a Barra Funda, onde nasceu o samba paulista; a Liberdade, onde foi o pelourinho da cidade; o bairro do Jabaquara, onde existiu o quilombo da Passagem; e o bairro do Bixiga, onde existia o Quilombo da Saracura.

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“Para que um genocídio se consolide, é necessário esquecê-lo. Para que uma violência estrutural permaneça, é necessário negá-la. A memória, portanto, é política. O pouco da história da escravidão e do racismo brasileiros que nos é contada vem como algo distante e pela visão dos opressores, sem associação com os dias de hoje”, diz um trecho do manifesto.

Além da troca do nome do bandeirante  da rua no Bom Retiro e de outras, o movimento pretende a retirada e a realocação de monumentos que fazem homenagens a higienistas e escravocratas e também o tombamento como patrimônio histórico dos territórios com significados importantes para a luta de resistência dos negros na cidade.

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