POLíTICA / Domingo, 07 Outubro 2018 21:02

Mulher, negra, nordestina e trans: Erica Malunguinho é eleita para Câmara dos Deputados de SP

Fundadora da Aparelha Luzia, quilombo urbano no centro da cidade, é a terceira mulher negra e a primeira trans a entrar na Assembleia Legislativa de São Paulo

Texto / Pedro Borges e Thalyta Martins
Imagem / Pedro Borges

Artista e fundadora da Aparelha Luzia, espaço descrito como um quilombo urbano em São Paulo, Érica Malunguinho é a terceira deputada estadual mais votada pelo PSOL no estado e a terceira mulher negra na história a entrar na ALESP (Assembleia Legislativa de São Paulo). A primeira foi Theodosina Ribeiro, e a segunda, Leci Brandão.

Érica Malunguinho atingiu mais de 53 mil votos e compõem o time do PSOL na Alesp ao lado da Bancada Ativista, que conseguiu mais de 144 mil votos, e de Carlos Gianazzi, com mais de 212 mil mil votos. Essa foi a primeira tentativa de Érica Malunguinho de ocupar um cargo público.

Leci Brandão é outra mulher negra a se eleger como deputada estadual em São Paulo. Ela foi a candidata mais eleira do PC do B, com mais de 62 mill votos. Essa será a primeira vez na história do estado em que duas mulheres negras atuaram juntas na casa legislativa.

Propostas da candidatura quilombo

Erica Malunguinho quer incentivar o turismo social em quilombos e territórios indígenas como estratégia de combate ao racismo, proteção, visibilidade e economia sustentável. A deputada estadual também quer que o Estado invista em campanhas de difusão da produção cultural de pretxs, indígenas e LGBTQ’s, tornando-a uma ferramenta pedagógica de combate ao racismo, machismo, lgbtfobia.

Na área da saúde, a deputada quer promover acolhimento humanizado em hospitais e delegacias para mulheres (cis e trans) vítimas de violência sexual e lutar pela garantia da humanização no atendimento das mulheres em situação de aborto em quaisquer circunstância.

Outra pauta é moradia. Nesta questão, Érica pretende apoiar iniciativas de amparo aos moradores de rua e lutar pela expansão dos programas de acolhimento e reinserção, além de rever programas habitacionais, expansão e readequação de imóveis ociosos.

Para a população transsexual, a candidata pretende facilitar o acesso às documentações, projetos de formação para a população T e aprimorar os dispositivos de inclusão ao mercado de trabalho para a população T.

Na educação, os objetivos são: fazer valer e aprimorar os mecanismos de democratização do acesso e permanência nas Universidades públicas, promover a reavaliação do currículo escolar para garantir a implementação da Lei 11.645 (obrigatoriedade do ensino das culturas e histórias indígenas, africanas e afro brasileiras.

Por último, em relação à população carcerária, a política prevê lutar para que o estado se responsabilize pelos egressos do sistema prisional, bem como pelas medidas sócio educativas, viabilizando a reinserção desses grupos por meio do trabalho na própria ALESP, órgãos estatais e/ou empresas privadas e criar dispositivos de acolhimento às famílias com parentes encarcerados.

 

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