POLíTICA / Quarta, 02 Junho 2021 15:09

Mudar logo da Fundação Palmares é racismo religioso, diz pesquisadora

Sérgio Camargo anunciou um concurso para a mudança do logotipo do órgão público; Machado de Xangô estilizado é parte da cultura afro-brasileira e não fere a ideia de estado laico, segundo integrante do Conselho de Defesa dos Direitos dos Negros

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Divulgação

Sérgio Camargo em frente a uma parede, que mostra vários logos da Fundação Palmares
Introdução:

Sérgio Camargo anunciou um concurso para a mudança do logotipo do órgão público; Machado de Xangô estilizado é parte da cultura afro-brasileira e não fere a ideia de estado laico, segundo integrante do Conselho de Defesa dos Direitos dos Negros

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Divulgação

O presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Sérgio Camargo, anunciou a criação de um concurso para mudar o logotipo do órgão público. O objetivo, segundo ele, é defender o princípio constitucional de Estado Laico (sem influência religiosa).

O atual logotipo da fundação é uma imagem estilizada do machado de Xangô, o orixá que simboliza força e justiça, relacionado ao elemento fogo, cultuado pelas regiões de matriz africana e presente na simbologia da cultura afro-brasileira.

Camargo disse em uma rede social que achava que o logotipo era uma palmeira estilizada, mas que agora vai querer mudar e prometeu um prêmio em dinheiro, via edital, para incentivar a troca do logo.

Para a pesquisadora Juliana Silva, do Conselho de Defesa dos Direitos dos Negros (CDDN), do Distrito Federal, a mudança proposta pela presidência do órgão se trata de racismo religioso.

“Mudar o logo por ser o machado de Xangô é descaracterizar totalmente a função da Fundação Palmares, que nasceu com o intuito de fortalecer a cultura afro-brasileira, onde está inserida a religiosidade. Por sinal, o combate ao racismo religioso é uma luta muito grande dos povos de terreiro e do povo preto. O Estado é laico e, justamente por isso, precisa defender o respeito às religiões de matriz africana”, afirma a pesquisadora e também criadora do site Brasilidade Negra, que faz o mapeamento dos ataques contra terreiros de religiões de matriz africana em Brasília.

Perseguição a religiões de matriz africana

Em junho do ano passado, uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo revelou um áudio vazado de Sérgio Camargo em uma reunião onde dispara ofensas, acusações e ameaças a militantes do movimento negro e líderes de religiões de matriz africana. Em um certo momento é possível ouvir o presidente do órgão público dizer: “Não vai ter nada para terreiro enquanto eu estiver aqui dentro, zero, nada. Macumbeiro não vai ter um centavo”.

Em sua fala, na época, Camargo também ofendeu a mãe de santo Adna Santos, conhecida como Mãe Baiana, que registrou boletim de ocorrência contra ele. “Além de fazer macumba pra mim, essa miserável está querendo agitar uma invasão aqui dentro de novo [sede da Palmares]”, afirmou o presidente, em áudio vazado.

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