POLíTICA / Terça, 20 Setembro 2022 17:35

'Lula é a melhor opção para derrotar Bolsonaro', diz Marina Silva

Candidata a deputada federal, Marina Silva (Rede-SP) falou sobre apoio a Lula e criticou o discurso fundamentalista e antidemocrático de Bolsonaro

Texto: Thais Rodrigues | Edição: Elias Santana Malê | Imagem: Divulgação/Ricardo Stuckert

A esquerda a candidata a deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a direita e segurando a sua mão, o candidato à presidência Luis Inácio Lula da Silva
Introdução:

Candidata a deputada federal, Marina Silva (Rede-SP) falou sobre apoio a Lula e criticou o discurso fundamentalista e antidemocrático de Bolsonaro

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Texto: Thais Rodrigues | Edição: Elias Santana Malê | Imagem: Divulgação/Ricardo Stuckert

Mulher negra e acreana, Marina Silva é filha de seringueiros na Amazônia e considera que foi “a maior possibilidade de terceira via” que já teve no país. Ela se candidatou à presidência por três vezes, obtendo 21 milhões de votos, em 2014. Agora, como candidata a deputada federal (REDE-SP), declara apoio ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva: “Ele é a melhor opção para derrotar Bolsonaro”. 

Entre 1995 e 2011, Marina ocupou uma cadeira no Senado Federal pelo estado do Acre e foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula, entre 2003 e 2008. Em entrevista à Alma Preta Jornalismo, ela afirma que o apoio a Lula não tem relação com a promessa de uma ocupação de função em um possível governo, mas em um interesse maior com a recuperação da democracia, das políticas públicas e das políticas ambientais “destruídas pelo governo Bolsonaro”. 

“Eu sempre disse que estava aberta ao diálogo para uma reconstrução política e programática como de fato aconteceu. O documento que apresentei pode ser considerado um apoio ao que já estava previsto na agenda programática do ex-presidente Lula, coordenado pelo Mercadante, ou seja, um compromisso perante a agenda socioambiental”, diz Marina.

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Marina Silva informou à reportagem que manifestou o apoio à candidatura de Lula por entender que ele tem as maiores e melhores condições, no momento, “não só de derrotar o Bolsonaro, mas de conter o avanço do bolsonarismo”. De acordo com ela, com o período de ataque à democracia feito por Bolsonaro, o país passou por um aprendizado e “estamos maduros para, mesmo com divergências, estarmos unidos para o que é essencial para a sociedade brasileira”. 

No dia 12 de setembro, a ex-ministra entregou um documento a Lula intitulado 'Resgate Atualizado da Agenda Socioambiental Perdida', remetendo às ações dos governos petistas nesta área. Entre as sugestões contidas no texto está a criação de uma autoridade nacional para o enfrentamento às mudanças climáticas e acelerar a transição da matriz brasileira para energia limpa.

A respeito do chamado voto útil, o voto em um candidato que não é sua principal opção de escolha para evitar que outro vença o pleito, Marina Silva declara que é legítimo que, quem está disputando as eleições e está buscando vencer em primeiro turno, vença no primeiro turno. Entretanto, a candidata disse que isso precisa ser feito sempre considerando o fato que nós estamos em uma democracia e que se faça a escolha com responsabilidade.  

“Devemos considerar aquilo que é melhor para o Brasil. Tenho respeito pela candidatura dos outros candidatos do campo democrático. Precisamos conversar com as pessoas para que elas façam o que é melhor para o Brasil neste momento. Até 2 de outubro, o voto não é de ninguém, não existe um voto fixo em A, B ou C”, salienta. 

Sobre a campanha bolsonarista, que desde o último pleito, em 2018, utiliza-se de fundamentalismos religiosos para angariar votos junto à população, Marina Silva, que é evangélica, diz que a separação entre o Estado e a Igreja - o Estado laico - é uma contribuição da Reforma Protestante, que começou no século 16, com Martinho Lutero. “Esse legado que separa o Estado e a Igreja não pode ser renegado pelo povo evangélico”, considera a candidata.

“Estão totalmente equivocados aqueles que acham que nós podemos nos tornar um Estado teocrático. Porque um Estado teocrático pressupõe uma nação onde quem manda é uma religião”, ressalta. Marina expõe ainda que essa conformação de governo prejudica a todos, porque em uma laicidade todos têm direito de profetizar a sua fé, ou de não ter nenhuma fé. 

“É preciso construir políticas públicas para todas as pessoas, independente do credo, da cor, da religião ou da orientação sexual. Como pessoa de fé, eu sempre entendi que o ambiente mais saudável para a profetização da minha crença é no Estado laico, porque eu posso ter a minha religião e respeitar a fé do outro”.

Marina Silva foi uma das poucas mulheres negras brasileiras que chegou em um alto patamar da política e do poder institucional. Por sua contribuição à política, história de vida e ambientalismo, seu nome estampou a lista de personalidades negras homenageadas pela Fundação Palmares. Porém, na gestão de Sérgio Camargo, ela e outras pessoas como Benedita da Silva (PT-RJ)  tiveram suas condecorações retiradas sob o pretexto de que “ícones da esquerda vitimista” deixassem de ser homenageados.

“Marina não tem contribuição relevante para a população negra do Brasil. Disputar eleições não é mérito. O ambientalismo dela vem sendo questionado e não é o foco das ações da instituição”, escreveu Sérgio Camargo no Twitter. Em 2021, a Justiça do Distrito Federal suspendeu essa decisão e determinou que Camargo recolocasse todos os nomes na listagem de honrarias.   

Em se tratando dos desrespeitos sofridos pelas pessoas negras no Brasil, a ativista julgou “deplorável” o fato de o país ter um governo que “tenta desvalorizar a história e invisibilizar a trajetória daqueles que, com muito esforço, conseguiram algum lugar de destaque”.

Para a candidata, é fundamental combater as estruturas racistas, seja do ponto de vista das leis, das políticas públicas ou da própria forma de ver as relações. Segundo ela, é o que falta para mudar o Brasil, além de se ter mais politicos negros ocupando o Executivo e o Parlamento. Para isso, deve-se modificar a cultura das pessoas para que elas passem a votar e eleger pessoas negras periféricas.  

“Eu fico feliz de estar participando mais uma vez [da corrida eleitoral] para que tenhamos equipamentos públicos e políticas públicas. [Para termos equidade] nós vamos ter que entrar com os meios legais que devem ser criados para que nos possibilite superar a exclusão, como é o caso das cotas, da destinação de recurso para as mulheres e pessoas pretas, como ter dentro das organizações sejam elas partidárias e empresariais ou científicas, cotas para pessoas pretas, é dessa forma que nós vamos conseguir ampliar os lugares das pessoas pretas na nossa sociedade”, finaliza.

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