CULTURA / Sexta, 16 Julho 2021 12:40

Pesquisadoras de dança nordestinas lançam documentário sobre raízes do maculelê

"Maculelê: entre paus, grimas e cacetes" foi produzido por Gabrielle Conde e Bruna Mascaro, que apresentam as relações da expressão artística a partir de estudos nas cidades de Salvador e Santo Amaro, ambas na Bahia

Texto: Victor Lacerda | Edição: Lenne Ferreira | Imagem: Divulgação 

 

Introdução:

"Maculelê: entre paus, grimas e cacetes" foi produzido por Gabrielle Conde e Bruna Mascaro, que apresentam as relações da expressão artística a partir de estudos nas cidades de Salvador e Santo Amaro, ambas na Bahia

Texto: Victor Lacerda | Edição: Lenne Ferreira | Imagem: Divulgação 

 

Preservar a memória da dança afrodiásporica é uma das motiviações que levou a brincante e contramestra da Escola de Capoeira Angola Ifé, Gabrielle Conde, e a artista de dança, educadora e intérprete, Bruna Mascaro, produzirem um vídeo documentário sobre as origens do Maculelê. Expressão artística que simula uma arte marcial através da dança, faz parte da identidade cultural negra nordestina e será abordada através de representantes históricos das cidades de Salvador e Santo Amaro, ambas na Bahia. A produção audiovisual fica disponível no canal do projeto no YouTube a partir deste sábado (17), às 18h. 

“Foi pensando para trazer de volta a prática corporal do maculelê, mas, também, para termos um registro oral, como uma espécie de atualização dessa cultura. Isso, tendo em vista que muitos grupos aderiram à uma prática de 'capoeira gospel’, trazendo elementos do fundamentalismo religioso às práticas de origens africanas e afroameríndias. Por isso, queremos, com o projeto, reacender essa chama da importância da gente salvaguardar as tradições e romper com uma lógica racista”, afirma a realizadora Gabrielle Conde. 

 

A realização do filme faz parte do projeto "Entre paus, grimas e cacetes: o Maculelê construindo sentidos pedagógicos", pesquisa que reúne como fontes diretas mestres, mestras, pesquisadores e fazedores da cultura da região e as suas relações com a prática artística estudada. O projeto visa mostrar, também, a relevância das cidades para a construção da expressão. 

“Nós fomos atrás do maculelê que ainda é feito e ressignificado e atravessado pelas pessoas que mantêm, mas que tem, ali, uma preocupação de preservar os fundamentos dos antepassados, como Mestre Macaco. Com isso, buscamos o enfrentamento de um racismo estrutural, institucional e religioso e que as histórias sobre a expressão sejam contadas de forma oral e por seus fazedores e fazedoras”, finaliza Conde.

Em junho deste mês, as pesquisadoras ainda promoveram, virtualmente, um encontro que apresentou a corporalidade do Maculelê, aprofundando os participantes na mistura de dança. Movimentos do corpo, canto e percussão, estruturados em princípios que se alternam entre jogo, luta, ritual e brincadeira, foram abordados durante oficina por videochamada. 

A direção de fotografia e a montagem do próximo trabalho e pesquisa sobre o tema são realizadas por Rayanne Morais e a produção executiva é de Karuna de Paula, da Equinócio Produções. O projeto ainda conta com incentivo do Microprojeto Cultural, viabilizado pela Secretaria de Cultura de Pernambuco (SECULT-PE). Mais informações e novidades podem ser acompanhadas pelo perfil do coletivo de pesquisa no instagram

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