CULTURA / Quinta, 09 Junho 2022 16:12

"O pop no Brasil ainda é muito embranquecido", diz Baco Exu do Blues

O artista esteve presente no Festival Literário Nacional, em Salvador, e falou sobre como tem sido a repercussão do seu trabalho no cenário da música nacional; o cantor revelou o lançamento de nova música neste domingo (12)

Texto: Dindara Ribeiro | Edição: Nadine Nascimento | Foto: Divulgação / Roncca

Baco Exu do Blues é um homem negro. Ele sorri e está com uma blusa cinza
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O artista esteve presente no Festival Literário Nacional, em Salvador, e falou sobre como tem sido a repercussão do seu trabalho no cenário da música nacional; o cantor revelou o lançamento de nova música neste domingo (12)

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Texto: Dindara Ribeiro | Edição: Nadine Nascimento | Foto: Divulgação / Roncca

O rapper e compositor baiano Baco Exu do Blues esteve presente nesta quinta-feira (9) no Festival Literário Nacional (Flin), em Cajazeiras, bairro de Salvador, e compartilhou como tem sido a repercussão das suas músicas no cenário nacional, a sua relação com a literatura, além da sua trajetória artística. À Alma Preta Jornalismo, o cantor revelou que vai lançar uma nova música neste domingo (12).

Criado na região do Centro de Salvador e considerado uma revelação da música brasileira, Diogo Moncorvo, nome de batismo de Baco Exu do Blues, iniciou a sua carreira por volta de 2016, nos movimentos de rua, principalmente nas batalhas de rima. Atualmente, o rapper tem conquistado espaço no cenário do pop nacional, que para ele ainda é ocupado por maioria branca.

"O pop no Brasil ainda é muito embranquecido. O sentido de pop no Brasil ainda está muito embranquecido e me ver no meio disso tudo, vindo de movimento de rua, de hip hop, eu ainda me enxergo meio perdido nesse universo, mas ao mesmo tempo muito importante porque pessoas como você (jovens negros) se identificam com a minha arte e me faz ter a certeza que estou no lugar certo", comentou Baco aos fãs.

publico flinFoto: Dindara Ribeiro/Alma Preta Jornalismo

Filho de pais professores, Baco foi o primeiro convidado do Flin e revelou que teve uma infância conturbada na escola. Ao todo, ele passou por dez instituições de ensino porque não se enquadrava no formato educacional, mas foi na literatura que o rapper se encontrou e tomou como modelo de inspiração para a sua carreira.

"Meu primeiro single da vida se chamava Capitu, que era uma brincadeira com várias musas literárias. A literatura sempre esteve muito viva na minha vida e muito presente nas minhas letras, foi um formador para mim, conta o artista.

No seu álbum mais recente, "Quantas vezes você já foi amado?", Baco traz composições íntimas com letras sobre autoestima do homem negro, afetividade e sensibilidade.

Para ele, a autoestima do povo negro faz parte de um fortalecimento coletivo. "Quando a gente entende quem a gente é, o outro perde o poder de nos diminuir, de nos menosprezar e fazer chacota", afirma.

Inspiração

O jovem Olamilekan Kayode, de 19 anos, acordou às 5h30 da manhã e, de ônibus, se deslocou quase 24 quilômetros só para ver o ídolo de perto. Para Kayode, a trajetória de Baco, um homem negro, das comunidades de Salvador, serve como inspiração para outros jovens que vivem a mesma realidade. "Baco nos faz relembrar quem somos nós e relembrar a nós mesmos o quão foda a gente é", diz o jovem.

Flin

Baco Exu do Blues foi um dos convidados do Festival Literário Nacional (Flin), que pela segunda edição acontece no bairro de Cajazeiras, em Salvador.

Com o tema "Diversas Leituras & Novos Caminhos", o evento reúne grandes nomes locais e nacionais, como o escritor baiano Itamar Vieira Junior, o humorista Jhordan Matheus, a poetisa e rapper Bixarte, a escritora Auritha Tabajara, entre outros.

Ao todo, o evento conta com rodas de conversas, oficinas, exposição literária, batalhas de rima, leitura infantil e shows musicais.

Segundo o presidente da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, o Flin representa o espaço da juventude das comunidades e da abertura do diálogo com as diversidades.

"Quando a gente traz o Festival para cá, estamos dizendo para essa juventude, para esse bairro, que nós o reconhecemos e o respeitamos porque a gente está proporcionando que eles possam ter acesso àquilo que eu considero o bem mais estratégico de uma nação, que é a cultura", destaca o presidente da Fundação, vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia.

A Flin segue até o dia 11 de junho (sábado), no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras. A programação completa pode ser conferida no site do Festival.

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