Mostra de cinema negro emociona público em situação de vulnerabilidade social

Participantes do curso de redução de danos do programa Corra pro Abraço, na Bahia, assistiram ao filme premiado "Motriz" da diretora Tais Amordivino, que retrata afetividade e resistência da mulher negra

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: João Reis

A manhã desta quarta-feira (7) foi diferenciada para os participantes do curso de redução de danos do programa Corra pro Abraço, vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia. Através de uma parceria com a MIMB - Mostra Itinerante de Cinemas Negros Mahomed Bamba, pessoas em situação de extrema vulnerabilidade que são assistidas pelo programa puderam assistir e discutir a produção de cinema por pessoas negras.

O filme exibido foi o premiado "Motriz" e a diretora Taís Amordivino acompanhou as sessões, seguidas de debate sobre o tema central da obra: afetividade e resistência da mulher negra, retratada através da história de vida da mãe da cineasta, dona Nilzabete Santos.

As duas turmas, compostas majoritariamente por mulheres e muitas delas mães, levantaram discussões sobre suas próprias vidas, demonstrando uma grande identificação com a história retratada no filme.

"É muito forte ter que mostrar um sorriso, depois que a gente passa pelas decepções da vida. Esse filme me deu vontade de registrar os momentos de minha filha e arrependimento de não ter registrado minha mãe", relatou Jucimara Oliveira, participante do programa.

Para a diretora Taís Amordivino foi uma experiência única. "Eu ouvi perguntas e questões muito diferentes do que costumo ouvir nos espaços do Cinema, por exemplo, sobre a linguagem, opções estéticas. Aqui o diálogo foi profundamente ligado à história das pessoas, aos sentimentos, à saudade. Foi muito forte ver a identificação, principalmente das mulheres", destacou.

O programa Corra pro Abraço entende o acesso à cultura como uma estratégia fundamental no trabalho de Redução de Danos. A MIMB é um festival realizado por mulheres negras com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva do cinema negro no Brasil e no mundo.

Neste ano, a mostra, que circulou por vários territórios de Salvador nas duas primeiras edições, em 2018 e 2019, acontece totalmente online devido à pandemia da Covid-19. A exibição para a turma do Corra foi a única exceção presencial da mostra neste ano, visto que as pessoas em situação de vulnerabilidade assistidas pelo programa não têm condições de acesso à internet para ver os filmes. Todos os protocolos de segurança à prevenção do novo coronavírus foram respeitados.

O filme "Motriz" segue disponível na MIMB através da plataforma Videocamp, até sexta-feira (9).

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!