CULTURA / Terça, 01 Março 2022 12:10

Mateus Aleluia revela sons sagrados da diáspora em show

Apresentação inédita do cantor baiano, influência para Emicida, Martinho da Vila e Criolo, está disponível no canal do Instituto Moreira Salles no YouTube

Texto: Juca Guimarães I Edição: Pedro Borges I Imagem: Iago Mati/IMS

Apresentação do músico Mateus Aleluia
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Apresentação inédita do cantor baiano, influência para Emicida, Martinho da Vila e Criolo, está disponível no canal do Instituto Moreira Salles no YouTube

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Texto: Juca Guimarães I Edição: Pedro Borges I Imagem: Iago Mati/IMS

Um show inédito de Mateus Aleluia com 12 canções sobre a ancestralidade negra, a espiritualidade e a memória africana estreou este mês no canal do IMS (Instituto Moreira Salles) no YouTube. O show exclusivo com voz e violão foi gravado na sede do instituto no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro.

Aleluia e a sua obra com o grupo Os Tincõas é uma forte influência para diversas gerações de músicos como Emicida, Martinho da Vila, Bixiga 70 (que regravaram a canção ‘Deixa a Gira Girar’) e Criolo, que buscam o resgate da identidade cultural afro diaspórica.

Na apresentação batizada de Espírito Sem Nome, as canções de Mateus Aleluia ilustram com cores vivas e fortes a tradição negra baiana, a história do povo e as lembranças dos terreiros de candomblé, além de um tempero angolano, país onde morou por quase 20 anos.

Os Tincoãs foi um grupo dos anos 60 e 70 que preservou e estudou profundamente a influência da cultura africana na música brasileira. O trio, que nos anos 70 era formado por Mateus Aleluia, Dadinho e Heraldo, compôs a música “Cordeiro de Nanã”, que teve o refrão regravado por João Gilberto no álbum “Brasil”, disco feito em parceria com Gilberto Gil, Maria Bethânia e Caetano Veloso.

A influência do candomblé no som dos Tincõas se deve à herança cultural da cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano, onde os três músicos nasceram. A cidade fica em uma região de exploração de ouro e cultivo de cana-de-açúcar, onde durante o período colonial foram trazidos cerca de 40 mil pessoas escravizadas.

No show, Mateus Aleluia canta: “Lamento às águas" / “Na beira do mar”, “Sogbô”, “Deixa a gira girar”, “Bahia em preto e branco”, “Encantados”, “Vocalise I”, “Vocalise II” ,“Ogum Akorô”, “Filha, diga o que vê”, “O serpentear da natureza”, “Homem! O animal que fala” e“Bahia bate o tambor”. Confira aqui.

A performance de Mateus Aleluia é acompanhada por projeções de obras do fotógrafo baiano Mario Cravo Neto, que está com uma exposição no IMS do Rio de Janeiro, onde foi gravado o show, até o dia 24 de abril.

Segundo Juliano Gentile, curador de música do IMS e idealizador da série Instantâneas: o vídeo do Mateus Aleluia tocando remete à “atmosfera em que trabalhava o fotógrafo, experimentando técnicas e formatos”.

Aos 79 anos, Mateus Aleluia mostra força, essência e dramaticidade com sua voz marcante de timbre místico. A música envolve e amplia percepções para chegar em significados profundos que vão além das letras. A experiência de ouvir Mateus Aleluia com as fotografias de Mario Cravo dá a sensação de fusão entre as duas artes, na avaliação de Gentile.

No ano passado, Mateus Aleluia lançou o álbum “Afrocanto das Nações”, onde gravou as músicas “Encantados” e “Sogbô”, que são dois dos pontos altos do show produzido pelo IMS.

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