CULTURA / Terça, 30 Novembro 2021 16:13

Mateus Aleluia lança álbum e museu virtual sobre pesquisa musical pan-africana

Estudos realizados pelo cantor e compositor no Benin resultaram no disco “Afrocanto das Nações - Jêje” e a exposição on-line “Nações do Candomblé”; ambos serão lançados nesta terça-feira (30)

Texto: Redação I Imagem: Divulgação

Mateus Aleluia lança álbum e museu virtual como resultado de pesquisa musical pan-africana
Introdução:

Estudos realizados pelo cantor e compositor no Benin resultaram no disco “Afrocanto das Nações - Jêje” e a exposição on-line “Nações do Candomblé”; ambos serão lançados nesta terça-feira (30)

Texto: Redação I Imagem: Divulgação

O cantor e compositor Mateus Aleluia, 78 anos, lança, nesta terça-feira (30), seu mais novo projeto, o “Nações do Candomblé”. Trabalho é fruto da pesquisa musical pan-africana do artista no Benin, na África Ocidental, e será dividido em duas produções: o álbum “Afrocanto das Nações - Jêje” e o museu virtual homônimo ao título do projeto “Nações do Candomblé”. Nesta fase, Aleluia apresenta seus estudos mais recentes no âmbito da ancestralidade ritualística. 

Em uma primeira etapa realizada de forma remota, o projeto se debruçou sobre as contribuições poético-musicais dos povos africanos das etnias Fon/Ewe /Ashanti do antigo Reino de Daomé, atual (país) Benin. Apesar destas etnias também terem as suas raízes em outros Estados – Países do continente Africano, os trabalhos foram iniciados nas cidades de Ouidá, Porto Novo, Dassa Zoumé e Savalu, no Benin e pelas casas de Candomblé Jêje em Salvador e Cachoeira, na Bahia.

“Abrindo a bússola às compreensões que vão além do poder das fronteiras, navegamos por mares antigos com olhos de nascente. Nessa primeira edição miramos o Benin, Cachoeira e Salvador para registrar e conhecer os cantos para os Voduns, divindades da nação de candomblé conhecida como Jêje aqui no Brasil", ressalta Tenille Bezerra, que assina a direção artística do projeto com o idealizador Mateus Aleluia.

As conexões entre esses cantos, práticas e modos de vida advindas dos cultos pesquisados foram alvo da escuta atenta do cantor Mateus Aleluia que criou um álbum de canções inéditas com a sua leitura das relações entre esses cantos e a relação do homem com o sagrado.  

“Estou me impondo e me dando vida com o início do desenrolar deste projeto que permitiu um processo de pesquisa etnomusical no Benin e no Brasil, para revelar os enlaces e conexões dos cantos dos Nkisis, Voduns e Orixás, em sua terra de origem no continente africano e na Bahia. São essas conexões, que me permito reatar em um processo que resultou em músicas inéditas, mas também em um museu virtual com conteúdo em diversas linguagens que traduzem o que foi vivenciado”, conta o cantor à imprensa. 

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Aleluia canta Nações 

O álbum “Afrocanto das Nações – Jêje” é o resultado da primeira etapa do projeto “Nações do Candomblé”, nele, Mateus Aleluia mergulha nos cantos aos Voduns em suas terras de origem e aqui na Bahia.  Após o período de pesquisa e registro Mateus Aleluia estabeleceu com esses cantos um diálogo sensível traduzido em canções inéditas. O álbum é composto dos cantos e das canções e será acompanhado de um Museu Virtual que apresenta através de fotografias, vídeos e textos, o material de pesquisa e todo o processo de composição da obra.

O ‘Afrocanto das Nações’ é uma obra de formato inédito que afirma com ênfase a fronteira entre a arte e a etnomusicologia, onde situa-se a obra de Mateus Aleluia desde a época dos Tincoãs. Cruzando as diversas linguagens artísticas: música, fotografia, audiovisual, com procedimentos etnográficos a obra contribui sobre o entendimento dos contornos identitários do povo brasileiro a partir das culturas advindas da diáspora africana.

50 anos de contribuição à cultura 

Natural de Cachoeira, na Bahia, Mateus Aleluia, em 2020, comemorou 50 anos de carreira musical que se iniciou no trio vocal “Os Tincoãs”.  O trio é considerado pioneiro em trazer à Música Popular Brasileira, de forma consistente, o universo poético do candomblé e da umbanda. Com sofisticados arranjos vocais, a obra dos Tincoãs é considerada ainda hoje um capítulo singular na história da música brasileira. 

Em Angola, onde viveu por 20 anos, ele seguiu desenvolvendo, através do Ministério da Cultura daquele país o trabalho de pesquisador cultural, tendo desta forma conhecido e aprofundado os seus estudos em diversas províncias. Tornado comendador em 2019 pela Bahia, seu estado natal, ele é considerado uma das personalidades culturais mais importantes do Brasil atual. 

Todo o projeto do artista estará disponível a partir das 18h, através do link do museu e nas plataformas digitais para audição do álbum. Mais informações e atualizações podem ser acompanhadas na página oficial de Aleluia

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