CULTURA / Sexta, 05 Março 2021 17:20

Lélia Gonzalez é homenageada em grafite gigante no centro de São Paulo

Painel faz parte da “Mostra Brasileiras”, do coletivo SP Aberta, e é de autoria da artista plástica Linoca, que se inspirou nos textos e pesquisas da ativista

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Cooletivo (@Cooletivo)

lélia gonzalez
Introdução:

Painel faz parte da “Mostra Brasileiras”, do coletivo SP Aberta, e é de autoria da artista plástica Linoca, que se inspirou nos textos e pesquisas da ativista

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Cooletivo (@Cooletivo)

A artista plástica Linoca Souza, 32 anos,  é a responsável pelo painel em homenagem à ativista Lélia Gonzalez, na Barra Funda, que compõem a série de painéis gigantes ao longo do Elevado João Goulart, conhecido como Minhocão, na cidade de São Paulo. O desenho foi concluído essa semana e traz a imagem de Lélia Gonzalez, do caju, São Jorge, uma figura indígena e uma cena de congada.

Segundo a autora, a obra é cheia de referências à cultura brasileira e à ancestralidade africana. “Todos esses elementos foram pensados dentro do conceito dos brasileiros e da Lélia, por exemplo, quando ela fala do ‘pretoguês’ e da construção da nossa língua diferente”, conta Linoca. 

Lélia Gonzalez (1935-1994) foi uma antropóloga e filósofa que ajudou a fundar o Olodum, o MNU (Movimento Negro Unificado) e o Centro de Pesquisas da Cultura Negra do Rio de Janeiro.  O grafite de Linoca é a primeira grande obra em São Paulo que faz uma homenagem à ativista. “Falar dela é muito importante para mim. Conheci o trabalho dela na graduação, junto com os escritos da Sueli Carneiro. Fiquei muito encantada. Me mandaram uma foto que foi escolhida pela família da Lélia”, compartilha a artista plástica.

 A ativista do movimento negro foi pioneira na produção literária sobre a intercecções de gênero e território no debate racial. Ela escreveu o livro “Por um Feminismo afro-latino-americano”, uma coletânea de textos escritos entre 1975 e 1994, lançado pela editora Zahar, com capa da Linoca e lançado em 2020.  A produção literária de Lélia segue atual no debate sobre o feminismo negro.

“Ela é uma mulher muito forte com uma pesquisa incrível. Quero que mais pessoas conheçam essa mulher, entendam e conheçam a história dela. Isso pra gente se ajudar neste processo de busca”, diz Linoca, que pinta desde a adolescência, que passou entre os bairros do Capão Redondo e Campo Limpo, na periferia da Zona Sul da cidade.

 A obra, de acordo com a artista, tem um caráter também de desafio ao racismo. "A congada, por exemplo, tem um contexto afro-religioso. Sei que isso acaba incomodando quem é preconceito e racista", pondera.

Lélia

A artista plástica Linoca Souza. Foto: Acervo Pessoal

A relevância de Lélia é reconhecida inclusive pela ativista norte-americana Angela Davis, que integrou os Panteras Negras. Durante uma série de palestras no Brasil, ela destacou a importância da obra de Gonzalez para a negritude. “Por que vocês precisam buscar uma referência nos Estados Unidos? Eu aprendo mais com Lélia Gonzalez do que vocês comigo”, afirmou a norte-americana em visita ao território brasileiro, em 2019.

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