CULTURA / Sexta, 24 Setembro 2021 10:59

Ítalo Bezerra prepara álbum em que lança novos compositores de samba

Filho do Bezerra da Silva segue os passos do pai e lembra que o samba é fruto da herança cultural afro-brasileira: “Meu pai sempre combateu o racismo e as injustiças. As músicas dele falam sobre diversos aspectos do cotidiano dos brasileiros. O que ele cantava há 20 anos ainda vale para hoje”, diz Ítalo Bezerra

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Juca Guimarães

Ítalo Bezerra  segue os passos do pai na luta contra o racismo
Introdução:

Filho do Bezerra da Silva segue os passos do pai e lembra que o samba é fruto da herança cultural afro-brasileira: “Meu pai sempre combateu o racismo e as injustiças. As músicas dele falam sobre diversos aspectos do cotidiano dos brasileiros. O que ele cantava há 20 anos ainda vale para hoje”, diz Ítalo Bezerra

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Juca Guimarães

Em janeiro de 2005, quando morreu o cantor Bezerra da Silva, foi o fim de uma carreira de 50 anos de música, com mais de 40 álbuns, mas também o início de um legado importante na história do samba. O compositor Ítalo Bezerra, filho de Bezerra, prepara o seu primeiro disco solo para lançar novos compositores, em um grande tributo à obra de seu pai. A música de trabalho do disco é “Difícil Sobreviver”, composta por ele, Gil de Carvalho e Paulinho Poeta.

Ítalo Bezerra, o "filho do homem", como é conhecido nas rodas de samba, mora em São Paulo há 12 anos e conta à Alma Preta Jornalismo que começou a tocar instrumentos ainda muito cedo. Aos 14 anos já fazia parte da banda de Bezerra da Silva, fazendo shows em todos os cantos do país.

“A base do meu pai para a carreira no samba sempre foi São Paulo. A gente praticamente morava no hotel Jandaia, ali no Centro. Era um hotel onde todos os artistas se hospedavam, porque tinha muitos shows na cidade e na região metropolitana”, lembra Ítalo.

Além da banda do Bezerra, o músico participou do disco ‘A Procura da Batida Perfeita’, do Marcelo D2 - grande fã e amigo do Bezerra -; e em três discos de Beth Carvalho, no começo dos anos 2000.

“A Beth era uma figura incrível. Uma madrinha que incentivou muito os compositores e artistas do samba. Quero fazer a mesma coisa que ela fazia: trazer comigo uma geração de talentos que ainda são pouco conhecidos”, comenta o sambista.

No período de preparação e produção do seu primeiro álbum, que já tem alguns singles prontos, ele foi em mais de 80 rodas de sambas e conheceu também muitos compositores pela internet. “Recebi muitas músicas. Algumas eu ouvia e dizia ‘uau, tá aí uma que o meu pai gravaria’. É muito forte a influência dele no samba. É um legado que não se apaga”, acredita Ítalo.

Para o álbum de estreia, que tem 11 músicas prontas, o músico também buscou os parceiros do pai no mundo do samba com quem conviveu desde cedo. “Meu pai tinha uma preocupação grande com os estudos, ele fez questão que eu tivesse uma formação acadêmica como músico, então me formei como baterista. Ele também estudou violão clássico, fez parte da orquestra da Globo e depois fez também um curso de trompete”, relembra o filho.

Uma das características do Bezerra da Silva, que é preservada na obra do filho, é a valorização da cultura afro-brasileira que é a raiz do samba. “Ele sempre combateu o racismo e as injustiças. As músicas dele falam sobre diversos aspectos do cotidiano dos brasileiros. É uma cultura popular muito rica. O que ele cantava há 20 anos ainda vale para hoje”, acredita Ítalo.

Bezerra, que nasceu em Pernambuco, era um artista agregador que tinha parcerias com muitos artistas de diversos estilos, como Barão Vermelho, RPM, D2, Zé Ramalho e Falcão. “Meu pai era um gênio. Na cabeça dele era uma prioridade fazer coisas novas, buscar parcerias e levar a arte dele para outros lugares e um público maior. Ele ia além do arroz e feijão”, pontua o filho.

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