CULTURA / Segunda, 19 Julho 2021 12:33

Indumentária das yabás da nação nagô de PE é tema de nova coleção de moda

“A Roupa e o Sagrado no Nagô Pernambucano” é resultado da imersão do designer Eduardo Ferreira junto ao Ilê Obá Aganjú Okoloyá, o Terreiro de Mãe Amara; live sobre o papel da mulher dentro das tradições de matrizes africanas marca o lançamento

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Renato Filho/Divulgação

Indumentária das yabás da nação nagô é tema de nova coleção de moda
Introdução:

“A Roupa e o Sagrado no Nagô Pernambucano” é resultado da imersão do designer Eduardo Ferreira junto ao Ilê Obá Aganjú Okoloyá, o Terreiro de Mãe Amara; live sobre o papel da mulher dentro das tradições de matrizes africanas marca o lançamento

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Renato Filho/Divulgação

O designer pernambucano Eduardo Ferreira imerge no estudo sobre a indumentárias dos orixás da nação nagô e lança em live, nesta segunda-feira (19), a coleção “A Roupa e o Sagrado no Nagô Pernambucano”. A pesquisa ilustrada é resultado de um estudo feito junto ao Ilê Obá Aganjú Okoloyá, o Terreiro de Mãe Amara, casa de axé tradicional da cidade, fundada em 1945.

Como temática central, o designer promete a reflexão sobre o papel da roupa nos diversos rituais litúrgicos no candomblé nagô do estado e a representação dos povos originários africanos fundadores da nação com os trajes iniciativos das orixás Oxum, Oyá, Iemanjá, Nanã e Obá.

 

“É um momento marcante para mim, inclusive de um histórico de insights sobre a estética dentro do ambiente de terreiro. Desde pequeno, quando vi as saias de santo no varal de uma vizinha minha, quando morava na Caxangá, aqui no Recife, eu me encantei. Isso perpassou toda a minha carreira, mas agora trago com a proposta de traçar paralelos através da indumentária, falando sobre questões raciais, de construção de identidade e misoginia”, afirma o idealizador em conversa com a Alma Preta Jornalismo.

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O artista ainda ressalta o papel das mulheres dentro da tradição das religiões de matriz africana no Estado. “Apresento a coleção como uma forma de reverenciar a história e importância das mulheres negras na resistência e construção de identidade dentro das casas de santo, nesse caso, no nagô pernambucano. Pretendo trazer a roupa com significado simbólico, que oportuniza discussões sociais, raciais e de gênero. Um estudo antropológico”, finaliza Eduardo.

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Para Helaynne Sampaio, yalaxé do Ilê Obá Aganjú Okoloyá e bailarina nagô convidada a falar na live, a iniciativa vai ajudar a passar ensinamentos da tradição nagô local, a qual faz parte. “Nós temos o axós, palavra em iorubá que significa roupa. Os femininos são formados pelo pano da costa, de cintura, saias, entre outras peças. A ação traz esse ensinamento de sabermos, por exemplo, que para além do adorno, o torço que usamos tem a função litúrgica de proteger nosso orí, palavra em iorubá que significa cabeça, onde, para nós, está localizado a fonte de energia vital e a divindade de cada omo orixá; filho de santo”, explica.

Ainda participam do lançamento a yakekerê do Ilê Obá Aganjú Okoloyá (Terreiro de Mãe Amara), Maria Helena Sampaio, a assessora parlamentar, Vera Regina Baroni, a Iya do Ile Asé Alagbede Orun, Denise T’Ògún Botelho, a regente do Coral Afro Brasileiro de Mulheres, Anastacia Rodrigues, e a ebomi do Ilê Obá Aganjú Okoloyá, Ana Benedita.

A coleção ainda conta com edição de moda e produção executiva de Nestor Mádenes, produção de vídeo Alabama Filmes, fotografia de Renato Filho, casting pela Amazing Model e beleza por Laércio Az.

Com incentivo da Lei Aldir Blanc, com recursos viabilizados pela Secretaria de Cultura de Pernambuco, a live de lançamento será transmitida na página do próprio designer a partir das 16h. Para conferir, acesse o link.

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