Cuidado com o cabelo crespo: Hair Love ganha Oscar de Melhor Curta Animado

Segundo diretor, animação surgiu para “ver mais representatividade nas animações e normalizar o cabelo negro”

Texto / Redação | Imagem / Sony Pictures Animation / Divulgação

Um pai cuidando e aprendendo a arrumar o cabelo crespo da filha. Este é o tema de Hair Love, desenho animado que ganhou o Oscar na categoria de Melhor Curta Animado de 2020. A premiação aconteceu na noite deste domingo (9), em Los Angeles, nos Estados Unidos.

“Nosso maior desafio foi manter essa alegria que atraía as pessoas a esses vídeos para começo de conversa. Estar aqui, fazendo isso com cabelo negro e famílias negras, é literalmente um sonho”, falou Matthew A. Cherry, diretor e ex-jogador da NFL, que subiu ao palco com a produtora Karen Rupert Toliver para receber o prêmio.

Segundo Cherry, Hair Love surgiu porque a dupla quer “ver mais representatividade nas animações e normalizar o cabelo negro”. “E nunca imaginei em milhões de anos que ganharíamos um Oscar por isso”, completou.

A animação foi baseada em diversos vídeos da internet em que, de forma divertida, pais tentam se adaptar aos cremes e elásticos necessários para pentear os cabelos crespos como uma forma de colaborarem com a autoestima dos filhos. Além de Cherry, o projeto foi dirigido por Bruce W. Smith e Everett Downing Jr.

Após a vitória, a Sony Pictures Animation divulgou uma ilustração especial da protagonista do curta abraçando a icônica estatueta do prêmio nas redes sociais com a legenda “Obrigado!”.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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