CULTURA / Sexta, 23 Julho 2021 12:35

Criança negra ressignifica silenciamento e faz sua voz ecoar em ‘Flora, faça florir’

Obra de autora baiana Janete Marques eleva a autoestima e incentiva as meninas negras a não se calarem diante do racismo

Texto: Akins Kintê | Imagem: Nappy

Menina negra cheirando flores
Introdução:

Obra de autora baiana Janete Marques eleva a autoestima e incentiva as meninas negras a não se calarem diante do racismo

Texto: Akins Kintê | Imagem: Nappy

Ayo, Abayomi, Zuri, Ayana… e é claro a menina Flora. Uma constelação de mulheres negras norteiam a narrativa do livro “Flora, Faça Florir”. A obra mostra como os mecanismos de poder da sociedade podem silenciar a mulher negra que está na base da pirâmide social e, todos os dias, precisa ‘florir’ para conquistar seu espaço, superar os obstáculos e as adversidades típicos do nosso processo histórico racista.

Flora, personagem principal da obra, é uma menina negra que percebe o quão silenciadas as mulheres de sua família são. Ayo, mãe da personagem, é um  exemplo de que a solidão tem cor e gênero. Já Abayomi, Zuri e Ayana, tia, irmã e avó de Flora, respectivamente, trazem à tona outras problemáticas sociais que as mulheres negras enfrentam ao longo da vida, desde o acesso à universidade até a necessidade de estabelecer uma relação de amor e respeito com a ancestralidade do povo preto.

 

A partir do convívio com essas quatro mulheres, Flora aprendeu a transformar silêncios em sons e sons em ação. Além da questão racial. Em “Flora, Faça Florir”, a personagem também vivencia um conflito de gênero na narrativa. Ela gosta de jogar futebol, mas os garotos da escola não permitem por ser uma ‘brincadeira de menino’.

“A personagem propõe um rompimento com a lógica colonialista. Leva o pequeno leitor a visualizar e refletir sobre uma família negra não apenas no sentido da dor e cicatrizes que o racismo promove, mas constrói um cenário humanizado de amor, afeto, união, empatia, sororidade,” explica Janete Marques, autora do livro e contadora de histórias.

A obra também serve de alerta para que pais, educadores e toda a sociedade civil possa refletir sobre como o racismo estrutural representa um sistema hierarquizado de poder, opressão e violência institucional. De acordo com a autora, essa responsabilidade precisa se estender a cada um de nós. “O racismo é um problema de toda a sociedade, não apenas dos negros. A luta antirracista deve ser delegada a todos, inclusive pessoas brancas”, finaliza Janete.

“Flora, Faça Florir” está disponível para venda no site da Editora Saira.

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