CULTURA / Segunda, 07 Fevereiro 2022 17:16

Bandas Black Pantera e Devotos promovem noite antirracista no Rock in Rio

Grupos vão tocar no dia 2 de setembro, no palco Sunset; bandas preservam a ancestralidade e presença negra no rock pesado e falam de desigualdade social e racismo em suas letras

 

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Fábio Fernandes

banda Black Pantera
Introdução:

Grupos vão tocar no dia 2 de setembro, no palco Sunset; bandas preservam a ancestralidade e presença negra no rock pesado e falam de desigualdade social e racismo em suas letras

 

Autor:

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Fábio Fernandes

A banda mineira Black Pantera confirmou sua participação no festival Rock in Rio, em setembro, e que terá como convidado especial o grupo pernambucano Devotos, ambos representam vertentes do rock pesado, punk e hardcore punk com protagonismo negro no Brasil, com composições que falam sobre a desigualdade social e a luta antirracista.

O baixista Chaene da Gama, do Black Pantera, comenta que é preciso deixar de lado a visão eurocêntrica e reducionista acerca do rock'n'roll e suas vertentes que se popularizaram durante o século 20.

“O rock sempre foi preto, desde a Sister Rosetta. Antes mesmo de Chuck Berry, ele vem do blues e do jazz. O rock nasceu de uma mulher negra, assim como a maioria dos ritmos vêm da África. Nosso som não é barulho, mas sim um grito de inclusão, de resistência e existência total”, pontua o músico.

Chegar ao Rock in Rio, festival de projeção mundial, é um marco importante na carreira do Black Pantera, principalmente dividindo o lineup do palco Sunset com outras bandas de protagonismo negro.

O grupo Devotos, liderados pelo baixista e vocalista Cannibal, existe desde 1988 e representa toda a energia do punk negro feito no Brasil, diretamente do Alto José do Pinho, bairro periférico de Recife (PE).

“Queremos passar positividade,união, luta, força e raça. Isso a gente já tem na pele e tem no sangue e vamos mostrar também no palco do festival”, diz Cannibal.

A banda tem sete álbuns de estúdio e um ao vivo, em que mistura influências de ritmos regionais, como o maracatu pernambucano. Cannibal destaca que o show irá acontecer perto de um momento especial para o país, um mês antes das eleições presidenciais e com a luta antirracista na centralidade das discussões políticas. “As artes têm força para mudar o quadro social. A gente quer que o público viva bem e com direito à saúde e à educação”, defende Cannibal.

O encontro do Black Pantera com o Devotos vai acontecer no dia 2 de setembro. “Já tocamos em outros festivais, mas o Rock in Rio era um sonho de toda a banda. Tem um peso muito grande e importante tocar com o Devotos, com toda a sua história e relevância na música brasileira, numa noite que também terá o grupo Living Colour”, compartilha Charles Gama, guitarrista e vocalista do Black Pantera, o encontro das bandas será no dia 2 de setembro.

A banda Devotos é icônica e tem uma carreira consolidada no rock feito por músicos negros e com repertório de contestação. “Devotos é uma influência para nós. Vai ser um show com muito som e muita alegria e energia. Vamos colocar para fora o peso dos últimos anos e as dificuldades que passamos. Vivemos o racismo todos os dias, ele está na TV, tá na rua, tá no quiosque e tá no serviço, tá em todos os lugares e a música é uma ferramenta de protesto”, afirma o guitarrista do trio mineiro.

No mês passado, o grupo lançou o single 'Padrão é o caralho' e há a previsão de lançamento de um álbum novo em março, seguido de uma turnê com todos os membros da banda imunizados com a terceira dose da vacina contra a Covid-19.

“Até setembro estaremos com gás total. O disco é contra essa galera racista e preconceituosa que está se espalhando pelo Brasil, talvez incentivada por um governante com os mesmo pensamentos e falas extremistas. É um momento crucial para o país e é preciso intensificar essa discussão racial”, pontua Rodrigo Pancho, baterista do Black Pantera. O grupo lançou no ano passado o single 'Seis Armas', que fala sobre genocídio, desordem e a morte de mais de 600 mil pessoas na pandemia.

 Apoie jornalismo preto e livre!

 O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de   financiamento coletivo e de outras ações com apoiadores. 

 Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos   equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor. 

 O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

 Acesse aqui e apoie a Alma Preta Jornalismo

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece. Se inscreva e receba nossas notícias toda semana.

VÍDEOS

novageracaoskate.jpg
temclimapraisso8.jpg
flagrapmbahia.jpg
anasanches7.jpg