Artista de rua assassinado há um ano é homenageado na Alemanha

Jailson Galdino de Souza Santos, conhecido como Scank, foi morto em Salvador, na Bahia, no dia 13 de fevereiro de 2020; o caso ainda não foi solucionado pelas autoridades e amigos e familiares lutam para manter sua memória viva

Texto: Henrique Oliveira | Edição: Nataly Simões | Imagem: Paul Schweizer

Introdução:

Jailson Galdino de Souza Santos, conhecido como Scank, foi morto em Salvador, na Bahia, no dia 13 de fevereiro de 2020; o caso ainda não foi solucionado pelas autoridades e amigos e familiares lutam para manter sua memória viva

Texto: Henrique Oliveira | Edição: Nataly Simões | Imagem: Paul Schweizer

O assassinato do artista visual baiano Jailson Galdino de Souza Santos, o Scank, ocorrido na madrugada de 13 de fevereiro de 2020, enquanto pintava um muro na região do Imbuí, em Salvador (BA), completou um ano sem qualquer resposta à familia e à sociedade. Entre as ações realizadas para lembrar a morte do artista está um mural em Tubinga, na Alemanha, onde a vítima e sua mãe Nice são retratadas por El Ninõ e outros artistas alemães.

A homenagem será permanente, pintada em um centro cultural, que foi ocupado em 1972 por jovens artistas e militantes e considerado um espaço histórico para a cultura e as lutas juvenis alternativas e anti autoritarismo da cidade alemã.

Para a mãe de Scank, Nice Galdino, a não resolução do crime que tirou a vida do filho um ano atrás se trata de descaso e falta de interesse do poder público com o assassinato de um jovem negro. Além da homenagem na Alemanha, amigos e familiares de Scank lançaram no dia 13 de fevereiro uma exposição virtual com a obra do artista.

Manter vivo o nome da vítima é parte do projeto de memória que vem sendo realizado pela família. No ano passado, em entrevista à Alma Preta, Nice contou que passou a pintar camisas com o letrado de picho desenvolvido por Scank, como forma de perpetuar o legado artístico do filho. A exposição está hospedada no site www.scank.com.br.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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