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Introdução:

Longa “M-8 Quando a Morte Socorre a Vida”, do cineasta Jeferson De, conta o drama de um estudante negro e cotista em uma universidade de medicina

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Divulgação

Filme M-8 sobre racismo institucional está disponível na Netflix

Qual o lugar de um estudante negro em uma das melhores universidades de medicina do Brasil? No filme “M-8 Quando a Morte Socorre a Vida” o cineasta Jeferson De disseca essa questão ao mostrar o cotidiano do jovem estudante, filho de uma auxiliar de enfermagem, que entrou na universidade pública pelo sistema de ações afirmativas das cotas raciais.

Na universidade, as únicas pessoas negras que o estudante conhece são funcionários em cargos subalternos ou os corpos de vítimas consideradas como indigentes e usados nas aulas de anatomia.

O filme trata também do genocídio da população negra e a luta das mães por justiça pelos filhos vítimas da violência do Estado. O longa tem participações de Zezé Mota, Ailton Graça e Lázaro Ramos e estreiou nestta semana na Netflix.

O diretor Jeferson De conta à Alma Preta que o filme, neste momento de pandemia do Covid-19 com mais de 250 mortes no Brasil, também é um tipo de homenagem. “Com o Mauricio, um jovem cotista negro no curso de medicina, seguimos um trajeto de auto descoberta. Neste momento “M-8”se torna especial por contar - coincidentemente - com uma família negra que trabalha na linha de frente da pandemia. A todes estes profissionais nossa homenagem”, diz o cineasta.

Além do elenco com diversos atores e atrizes negros e negras, o filme também conta com uma equipe técnica formada por profissionais negros. “M-8 é uma obra realizada por muitos artistas negres, um verdadeiro quilombo cinematográfico. Corpos negros a frente e atrás da tela pra contar nossa versão sobre nosso ancestrais”, explica Jeferson De.

Leia a crítica da Alma Preta sobre o filme.

A expressão do olhar da mãe Cida (Mariana Nunes) quando o filho Maurício (Juan Paiva) diz que não quer ir ao terreiro é uma expressão reveladora acerca da carga de ancestralidade e fé presente no filme. A atriz Mariana Nunes dá magnitude para a personagem que é mãe solo e enfrentou dificuldades para conseguir dar um futuro melhor para o filho. Ela é o Brasil real que pouquíssimas vezes se vê no cinema.

M-8 drama sobre racismo

Sambista e ator Aldo Bueno será homenageado na live da Soneca

Introdução:

Live no próximo domingo (28) vai arrecadar fundos para o tratamento de saúde do ator e ex-intérprete da Vai-Vai

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: arquivo da família

O ator Aldo Bueno, 70 anos, está internado esperando para fazer uma terceira cirurgia na perna. Para ajudar nas despesas com remédios e no pós-operatório, os amigos estão organizando a live da Soneca, no domingo, dia 28, que será transmitida pela página do ator no Facebook.

Sambista e figura querida no bairro do Bixiga, na região central da capital, Aldo foi intérprete de samba de enredo da escola de samba Vai-Vai. Em 1982, Aldo Bueno cantou o samba "Orum Ayê - O Eterno Amanhecer" que levou o título daquele ano para a escola.

Bueno tem uma longa carreira como ator. No teatro, ele participou de montagens como "Arena Contra Zumbi", "Ópera do Malandro" e "Gota d'água". Ao todo foram 12 longas metragens, como "Eles não usam black tie", "O homem que virou suco" e "A próxima Vítima", filme que rendeu dois prêmios, APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e Kikito, do Festival de Cinema de Gramado. Bueno  foi eleito o melhor ator na premiação de 1984.

No começo dos anos 90, Aldo lançou o álbum Corpo Negro, de forma independente com suas composições: “Prós e Contras”, “Fariseus” e “Olha o respeito”, entre outras. Ele  também participou do Álbum "A história do samba paulista" - com Oswaldinho da Cuíca, Thobias da Vai-Vai e Germano Mathias, lançado em 1999.

Bueno é um ativista da cultura negra e da preservação do samba paulistano, principalmente no bairro do Bixiga, onde participa de diversas rodas de samba e festas tradicionais.

No Carnaval, o sambista é um dos membros de honra da Banda Redonda, a mais antiga banda carnavalesca da cidade de São Paulo, fundada pelo dramaturgo Plínio Marcos, que assim como Bueno era um sambista. O primeiro nome escolhido foi Bandalha. Em 2021, a banda completou 46 anos de existência.

A Live da Soneca vai ter participação da filha do ator, a cantora Tata Godoy e do genro , o sambista Cláudio Moraes, e deve começar às 15h. A meta da campanha é conseguir pelo menos R$ 1.500, até agora a arrecadação somou R$ 200. Bueno está internado no Hospital Regional Sul.  Bueno tem arteriosclerose, que atinge veias e artérias.  Ele já fez uma cirurgia na perna esquerda, agora vai fazer uma segunda intervenção na perna direita, na próxima semana, provavelmente na quarta-feira.

 

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aldo bueno

103 anos de história do Maracatu Cambinda Brasileira

Introdução:

Em Pernambuco, pela primeira vez em mais de um século de história, Maracatu de baque solto mais antigo do Brasil não desfilou; cancelamento do Carnaval gerou impactos para mestres de grupos tradicionais que perpetuam a cultura popular no interior do estado 

Texto: Victor Lacerda | Edição: Lenne Ferreira | Imagens: SECULT-PE

Pela primeira vez em 103 anos de história, caboclos de lança, rei e rainha do Maracatu Cambinda Brasileira não saíram em desfile pelas ruas de Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. O grupo, fundado em 5 de janeiro de 1918, comemoraria os seus 103 anos de resistência cultural ligada ao sincretismo religioso, à música popular e à reverência ao trabalho árduo nos canaviais. Desta vez, a comemoração não contou com cortejo nem a performance colorida que encantam admiradores da cultura popular nordestina. O cenário deste ano fez com que a luta cultural se alinhasse ao resguardo pela saúde de todos os integrantes e frequentadores do Engenho Cumbe, onde acontece o tradicional encontro anualmente.

Ostentando o título de maracatu mais antigo em atividade ininterrupta do Brasil, o Cambinda Brasileira teve de vivenciar seu primeiro ano sem atividades, devido a pandemia pela COVID-19. Fora a atuação durante os festejos ligados ao Carnaval, o grupo ainda realizava atividades em comunidades de Nazaré, promovendo oficinas de artesanato, de construção das indumentárias para os desfiles e atividades de conscientização da importância da preservação da cultura popular nas escolas municipais. Todas estas ações tiveram de ser interrompidas desde o aumento de casos de infecções no município.

A atual presidente do Cambinda Brasileira, a secretária de Cultura e Turismo de Nazaré da Mata, Edlamar Lopes, revela um perfil representativo do grupo para a cultura popular local ligada à tradição da passagem de ensinamentos entre as gerações e certa preocupação com esta interrupção. “Por ser referência não só no Estado, o Cambinda pode ser considerado um maracatu-escola. Aqui em Nazaré, já tivemos 23 maracatus em atividade, hoje temos apenas 16. Entre estes, vários foram os mestres que, nos últimos anos realizando atividades em outros grupos, já passaram por aqui e até conseguiram fundar os seus próprios maracatus. Hoje, não sabemos ainda se em 2022 poderemos continuar”, revela. 

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Antes do decreto oficial do cancelamento do carnaval de 2021, divulgado pelo Governo de Pernambuco, grupos como o Cambinda já estavam em processo de organização e produção para as saídas durante os dias de festejo. “No início, ficamos na expectativa se nós iríamos sair ou não. Durante o ano da pandemia, fizemos todo o trabalho de produção da maneira que conseguimos fazer, sendo em casa, com algumas pessoas escaladas, que já faziam parte do grupo e confeccionavam as peças. Nos precavemos, para caso fôssemos sair. Com o decreto, guardamos tudo e o grupo teve que entender e continuar com os cuidados para não adoercermos”, conta a presidente. 

Para Edlamar, a pandemia vai interferir não só na dinâmica do grupo, mas na ordem financeira do município, pautado, em grandes números, pelo turismo. Para quem dependia dos empregos temporários gerados durante o período do carnaval, este ano, não conseguiu exercer atividades que gerassem retorno financeiro. Recebendo cachê por apresentação e por articulação com os pólos de cultura dentro e fora de Nazaré da Mata, o Cambinda Brasileira e outros grupos de Maracatu não puderam contar com esta necessária fonte de renda. 

A trajetória do Cambinda foi reconhecida como ponto de cultura em 2008 pelo Governo do Estado e considerado Patrimônio Vivo, em 2019. Como uma forma de fôlego para os grupos de Maracatu e de Cultura Popular, os mesmos órgãos de cultura, através da Lei Aldir Blanc, em edital publicado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), disponibilizou um auxílio emergencial para a classe durante este período de adversidades na saúde mundial. 

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Mesmo com a ajuda, a expectativa para voltar às atividades como as tradicionais sambadas, a comemoração pelo aniversário de 103 anos, os dois ensaios oficiais antes dos festejos de momo, a competição dos grupos, intitulada “passarela”, e o movimentado domingo de Páscoa só aumenta. O cenário abre espaço para outros sentimentos de quem faz um Carnaval recheado de cor e história regional. “Para gente, fica aquele vazio, a saudade de lembrar como era se houvesse o carnaval. Eu vejo essa situação como uma forma de exercitar a espera. Ano que vem a gente vai tentar ver a possibilidade de ir para rua já com as indumentárias confeccionadas e com mais tempo para produzirmos o que tiver de produzir durante este ano”, finaliza Edlamar. 

Reconhecimento

Como forma de atender ao pedido do fundador da agremiação, João Estevão, que solicitou aos filhos a responsabilidade de não deixar o grupo encerrar sua contribuição à cultura estadual, em 2018, ano do seu centenário, o Maracatu foi tema do livro “Não Deixem o Brinquedo Morrer”, obra de arte-reportagem que aborda as mudanças enfrentadas pelo grupo ao longo das décadas para se manter em atividade. Com fotografia de Heudes Régis e texto da jornalista Adriana Guarda, a obra ainda reúne histórias de integrantes importantes para a história do mais antigo maracatu em atividade no território nacional.

Minha luta é manter as portas abertas para outras mulheres negras, diz Erika Januza

Introdução:

Estrela da nova edição da revista Pop-se, atriz fala sobre ser um espelho para outras mulheres e diz não se calar diante do racismo

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Victor Affaro

A atriz Erika Januza revelou, em entrevista à quinta edição da revista Pop-se, que já se calou diversas vezes diante do racismo, mas que não abaixa a cabeça mais e que deseja ser inspiração para meninas negras que vêem nela a possibilidade de ter um futuro melhor.

“Já fui aquela que se calava diante do preconceito. E eu entendo quem se cala. É um tipo de violência que a gente não está preparada. Ele acontece do nada e só por causa da cor da sua pele. Hoje, entendo que o preconceito pode acontecer em qualquer lugar e eu não o deixo passar. Se for preciso, vou para a Justiça. Racismo é crime! E temos a lei para nos defender. Não me calo diante de racistas”, afirmou a artista.

Para a publicação, a atriz participou de um ensaio fotográfico de Victor Affaro sob a direção criativa de Allex Colontonio e André Rodrigues e concedeu uma longa entrevista à editora Ana Paula de Assis, não se esquivando de perguntas sobre sua trajetória artística e o papel da mulher negra na sociedade, por exemplo.

“Entendi que muitas meninas negras veem em mim a possibilidade de se inspirarem e acreditarem que podem ter um futuro melhor. E é isso o que eu quero incentivar. Quero que elas sonhem e acreditem que podem ter o que desejam. Com muita luta e foco, mas é possível, sim”, destacou.

“Como mulher negra, a minha luta é manter as portas abertas para todas as outras que virão. Assim como fizeram no passado. Se hoje estou aqui é porque existiu uma Ruth de Souza, é porque existe uma Zezé Motta e eu quero preservar essa porta que elas abriram”, acrescentou Erika.

Segundo os publishers da revista Pop-se, ter a artista em sua capa era um desejo antigo da edição. “Compramos a ideia imediatamente e preparamos uma superprodução muito autoral, repleta de códigos de empoderamento, anti misoginia, anti racismo, bandeiras hasteadas desde o nosso primeiro número”, concluem Colontonio e Rodrigues.

Filme sobre ausência paterna traça retrato da periferia de São Paulo

Introdução:

Documentário de Tatiana Lohmann fez acompanhamento sensível de mães e filhos criados sem o pai na Vila Flávia, em São Mateus, na Zona Leste da capital paulista

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Divulgação

A história contada no documentário “Minha Fortaleza, os Filhos de Fulano” é centrada na construção da masculinidade cercada pelas dificuldades de uma vida inteira sem o pai na periferia. O filme estreia nesta quinta-feira (25) no Cine Petra Belas Artes, na cidade de São Paulo, e fica em cartaz até 4 de março.

É nessa realidade da periferia que a diretora Tatiana Lohmann cria com muita sensibilidade um olhar profundo na relação entre esses filhos e suas mães. Tatiana filma a periferia com respeito e verdade. Ela traça os históricos familiares no documentário num retalho de depoimentos e encontros. Filhos que são pais e amam suas mães abrem o coração sobre seus sentimentos e angústias, principalmente o medo de falhar como pai.

A documentarista dirigiu, em 2003, o videoclipe “Respeito é para quem tem”, do rapper Sabotage, um clássico do rap nacional. No filme, Tatiana replica a máxima do mestre do Canão ao mostrar o cotidiano de luta dessas mães e de seus filhos, sem julgamentos, superficialidade ou preconceitos sobre a periferia. Os sentimentos das pessoas estão sempre em primeiro plano nas lentes da cineasta.

As mães da Vila Flávia são homenageadas em letras de rap, tatuagens com mensagens de amor e em murais de grafite. São a fortaleza e a esperança do bairro. Elas representam também a dura estatística do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que mostra um total de 12 milhões de mulheres que sozinhas são chefes de famílias, mais de 55% delas vivendo abaixo da linha da pobreza e na periferia.

Uma das histórias contadas no filme é a do rapper Negotinho Rima e sua mãe, a dona Vera, para quem ele escreveu a canção ‘Minha Fortaleza”. O documentário foi destaque no Festival do Rio, em 2019, e teve estreia mundial no festival American Black Film Festival, no ano passado.

minha fortaleza periferia

Socos e esquivas na série ‘Knockdown’ vão além do boxe e contam a vida na quebrada

Introdução:

Produção independente faz raio-x da luta cotidiana da periferia de São Paulo para sobreviver e seguir em frente; série foi idealizada ainda nos tempos de faculdade por um grupo de amigos 

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Lucas Freire Godoy

Na periferia abrir espaço a socos para conseguir alguns objetivos nem sempre é uma figura de linguagem. A série “Knockdown”, dirigida por Victor Henrique, de 26 anos, e com produção executiva do João Pedro, 21 anos, foi rodada com baixo orçamento e durante a pandemia da Covid-19, na zona Leste de São Paulo, e tem como ambientação o mundo do boxe e as periferias.

Os amigos se conheceram na FAPCOM (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação) e no primeiro ano do curso de Produção Audiovisual surgiu a ideia de fazer uma série dramática sobre um lutador de boxe chamado Guilherme. “Na série é mais fácil abordar tudo o que a gente quer e precisa falar sobre o Guilherme. A proposta são oito episódios de 30 a 40 minutos, na primeira temporada”, diz João Pedro.

Na série, ele é o Antônio, pai do lutador de boxe. “Eu adorei a ideia da série. Fiquei feliz em fazer o papel de pai do protagonista. São iniciativas como essa que precisam acontecer. Precisamos de mais audiovisual com protagonismo afro”, avalia Candido, que também é diretor, autor e poeta.  Na pandemia, ele escreveu e dirigiu o curta ”Germinar”.

“Knockdown” é uma série dramática sobre diversos tipos de batalhas. A luta no ringue é um complemento ou um reflexo da luta nas ruas e dentro das famílias. A atriz Bárbara Olusete interpreta Marta, irmã de Guilherme. “Brigas são normais entre irmãos, ainda mais porque um quer o bem do outro. Eu me identifiquei com a personagem, ela busca uma oportunidade de crescer por ela mesma para encontrar uma possibilidade de vitória para todos”, conta a atriz.

O episódio-piloto está na fase de pós-produção e foi gravado em várias locações da cidade, como Artur Alvim, na zona Leste, e avenida Paulista, região central da cidade. O elenco é formado por atores estreantes e veteranos, como Andrio Candido, que fez, entre outros longas-metragens, “Boleiros”, do diretor Ugo Giorgetti.

As filmagens aconteceram em janeiro, seguindo os protocolos de segurança contra a contaminação da Covid-19. Depois de finalizado o episódio-piloto, a dupla pretende encontrar uma parceria para financiar o restante do projeto. "Cada um da produtora deu seu máximo a todo o momento. Essa série não seria a mesma sem todos envolvidos. O projeto pode ter se iniciado comigo e com o Victor, mas sem o Edson [direção de fotografia], o Daniel [iluminação] e o Gabriel [roteiro] a série não seria 10% do que ela está se tornando", conclui João Pedro.

série sobre boxe

Artista de rua assassinado há um ano é homenageado na Alemanha

Introdução:

Jailson Galdino de Souza Santos, conhecido como Scank, foi morto em Salvador, na Bahia, no dia 13 de fevereiro de 2020; o caso ainda não foi solucionado pelas autoridades e amigos e familiares lutam para manter sua memória viva

Texto: Henrique Oliveira | Edição: Nataly Simões | Imagem: Paul Schweizer

O assassinato do artista visual baiano Jailson Galdino de Souza Santos, o Scank, ocorrido na madrugada de 13 de fevereiro de 2020, enquanto pintava um muro na região do Imbuí, em Salvador (BA), completou um ano sem qualquer resposta à familia e à sociedade. Entre as ações realizadas para lembrar a morte do artista está um mural em Tubinga, na Alemanha, onde a vítima e sua mãe Nice são retratadas por El Ninõ e outros artistas alemães.

A homenagem será permanente, pintada em um centro cultural, que foi ocupado em 1972 por jovens artistas e militantes e considerado um espaço histórico para a cultura e as lutas juvenis alternativas e anti autoritarismo da cidade alemã.

Para a mãe de Scank, Nice Galdino, a não resolução do crime que tirou a vida do filho um ano atrás se trata de descaso e falta de interesse do poder público com o assassinato de um jovem negro. Além da homenagem na Alemanha, amigos e familiares de Scank lançaram no dia 13 de fevereiro uma exposição virtual com a obra do artista.

Manter vivo o nome da vítima é parte do projeto de memória que vem sendo realizado pela família. No ano passado, em entrevista à Alma Preta, Nice contou que passou a pintar camisas com o letrado de picho desenvolvido por Scank, como forma de perpetuar o legado artístico do filho. A exposição está hospedada no site www.scank.com.br.

Série da drag queen Papona usa humor para falar de racismo e branquitude

Introdução:

Primeira temporada, com quatro episódios, retrata a vida durante o isolamento social provocado pela pandemia; ator Fagner Saraiva criou a personagem em 2006

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Acervo Pessoal

O ator Fagner Saraiva, 31 anos, dá corpo e voz à drag queen Papona desde 2006. A personagem é protagonista da websérie que usa a rotina do isolamento social durante a pandemia para tratar com bom humor temas sérios como racismo, branquitude, entre outras questões que geram polêmica.  

Nascido e criado em uma periferia do Mato Grosso do Sul e integrante da cia de teatro infantil Catappum!, Fagner usa a irreverência e a língua afiada da personagem Paponapia, mais conhecida como Papona, para questionar diversas nuances da luta antirracismo. “Comecei muito cedo a performar como drag. Hoje em dia temos uma construção de espaço para apresentar coisas novas. Dentro das artes, quando você se monta, você traz a fala de um monte de gente junto. Não é apenas uma montação, é a libertação das coisas que sofri na vida”, conta.

O período de pandemia da Covid-19 foi de reencontro com a personagem criada em 2006. Dessa forma, o atovislumbrou uma nova perspectiva artística. “Na fase em que não tinha mais trabalho, eu resolvi fazer lives e passar um chapéu coletivo. Fiz por três meses, variando entrevistas, números de dublagem, textos como a Papona. E com um Instagram com poucos seguidores, cerca de 2 mil, consegui pagar o meu aluguel por três meses. Então percebi a força que ela tem. A força da reinvenção do povo preto”, lembra.

Das lives, surgiu a ideia da série de quatro episódios transmitidos pelo YouTube e pelo Instagram. “Sempre fui do teatro, essa coisa de rede social veio da pandemia. A montagem e a preparação demoravam seis horas, a minha casa virou um set”, aponta.

Em 2020, com a discussão sobre o racismo em ascensão na mídia mundial, o tema foi incorporado ao roteiro da série. “Foi um terror na vida de muitos pretos. O que saltou de branco perguntando se era preto ou não, o que saltou de gente preta não entendendo o lugar do colorismo”, disse.

A ideia da série não é dar respostas e o ator diz que não é o dono da verdade, mas tem a urgência de mostrar como essas dúvidas e questões impactam a população negra.

Confira AQUI os quatro primeiros episódios de Papona: a vida de uma drag em isolamento. O roteiro é do Fagner Saraiva, a direção e edição é de Bruno Sperança, e a fotografia é de Fredo Peixoto.

 

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papona serie drag queen