COTIDIANO / Quarta, 11 Agosto 2021 15:42

Vítima de racismo no Assaí teve redes invadidas e rotina alterada

Metalúrgico de 65 anos não conseguiu mais ir ao trabalho, sofreu ataques e teve rotina alterada após ser acusado de furto em atacadista no interior de São Paulo; ele encontrou apoio na comunidade do centro de umbanda

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nacimento I Imagem: Divulgação

fachada do mercado assaí em limeira onde teve um caso de racismo
Introdução:

Metalúrgico de 65 anos não conseguiu mais ir ao trabalho, sofreu ataques e teve rotina alterada após ser acusado de furto em atacadista no interior de São Paulo; ele encontrou apoio na comunidade do centro de umbanda

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nacimento I Imagem: Divulgação

Enquanto a prefeitura de Limeira apura os desdobramentos do caso de racismo, registrado como constrangimento, contra o metalúrgico Luiz Carlos da Silva (65), dentro do Assaí Atacadista, na última sexta-feira (6), a vítima teve sua rotina totalmente alterada. Segundo sua mãe de santo, Heloísa Zanetti, da Casa de Oração e Caridade Mãe Maria Conga, desde o episódio, Luiz teve suas redes sociais invadidas e não conseguiu mais ir trabalhar.

“A rotina dele mudou bruscamente. Ele não sai para trabalhar. Ele saia daqui e ia a pé trabalhar em outra cidade. As mídias sociais dele e da família foram invadidas. Um homem que mal sabe ler e escrever foi agredido de uma forma brusca, doentia, cruel e racista. Eu gostaria muito que as pessoas entendessem isso”, disse a mãe de santo, durante a coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (11), em Limeira.

Mãe Heloisa acionou a rede de apoio que dá suporte ao senhor Luiz, à sua esposa Conceição e seus filhos desde a sexta-feira. Com o emocional abalado, ele teve que se mudar para casa de amigos.

Na coletiva, Luiz contou que queria comparar os preços do atacadista com aqueles do mercadinho perto de sua casa. Ele achou os preços dos produtos muito altos e que tinha muita gente dentro da loja e, por isso, decidiu ir embora.

“Tinham outras pessoas saindo, o movimento estava normal, e eu ia sair quando me barraram para dizer se tinha algo na minha blusa, algo que eu estivesse furtando. Eu abri a blusa e insistiram. Então, pedi para uma mulher que estava próximo para filmar porque eu estava sendo acusado de algo que não fiz”, contou Luiz.

Os seguranças chamaram reforço e levaram ele para o fundo da loja, onde não poderia ser filmado. “Começou a me dar ainda mais desespero, porque eu parecia um cachorrinho acuado”, lembra o metalúrgico. Ele ainda teria tirado as calças por desespero. “Eu não preciso roubar nada de ninguém, eu trabalho e faço parte de uma comunidade que quando alguém precisa, um ajuda o outro”, disse.

Em nota, o Assaí informou que vai colaborar com as investigações sobre o caso. O Ministério Público vai abrir um processo para apurar as responsabilidades, os desdobramentos e outros episódios semelhantes que tenham acontecido. A ideia é investigar se houve dano moral coletivo e propor uma sanção. Por enquanto, o metalúrgico está afastado do trabalho enquanto se recupera do trauma.

A nota do Assaí diz que a rede “combate a violência, a intolerância e a discriminação, sejam elas de qualquer natureza, por meio de ações de conscientização, treinamento, compromissos públicos e manuais internos com orientação para os colaboradores e rede de relacionamentos, todos baseados no código de ética e na política de direitos humanos e de diversidade”. No último semestre ,segundo o Assaí, foram realizadas mais de 24 mil horas de treinamento sobre estes temas aos funcionários.

No próximo domingo, dia 15, a partir das 10h, haverá um protesto em frente ao atacadista em repúdio ao episódio de racismo.

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