COTIDIANO / Segunda, 15 Fevereiro 2021 15:22

Petição denuncia rotina de rodízio em quadra e aglomeração em Campus na Bahia

Comunidade acadêmica lança petição para pressionar conclusão de obras na sede da Unilab, na Bahia; falta de estrutura tem causado diversos problemas

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Lenne Ferreira  | Imagem: Assecom/Unilab

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Introdução:

Comunidade acadêmica lança petição para pressionar conclusão de obras na sede da Unilab, na Bahia; falta de estrutura tem causado diversos problemas

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Lenne Ferreira  | Imagem: Assecom/Unilab

Refeitório com janelas fechadas por risco de cair, rodízio de aulas em quadra de esportes durante chuva, salas pequenas que impossibilitam o distanciamento social, além de constantes assaltos com violência. Essa tem sido a rotina da comunidade acadêmica da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afrobrasileira (Unilab), no campus do Malês, localizado na cidade de São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano. Uma petição online foi lançada para que as obras no prédio sede, que já dura mais de seis anos, sejam concluídas.

“Temos várias reivindicações, mas a finalização e entrega do prédio da sede da Universidade já resolveria grande parte dos problemas estruturais que estamos passando hoje”, comenta uma representante da petição, que preferiu não se identificar por receio de represálias.

Com sede no Ceará, a Unilab Campus do Malês, tem funcionado em prédio de educação escolar básica, há cerca de seis anos. O local foi doado pela prefeitura por tempo limitado. “Tem sido desafiador e muito injusto ter aulas ali porque não comporta a capacidade de estudantes, que é muito grande. Estamos tendo aula em prédios anexos que sofrem constante assaltos e com violência. Tem o trauma dos estudantes de irem para o prédio. Além disso, muitas vezes, as aulas são feitas em rodízio na quadra, durante a chuva. Não temos o aproveitamento que poderíamos ter, se estudássemos em um prédio com mais dignidade” desabafa.

Um outro problema está no refeitório, que tem sido usado, mas não tem a ventilação adequada. Além de o espaço ser pequeno, há aviso nas janelas informando do risco de caírem. “O espaço é insalubre e isso cria problemas no estômago. Essa situação tem se repetido e sabemos que quem é estrangeiro africano, por exemplo, recebe um atendimento diferenciado quando procura o serviço de saúde”, explica. A petição ainda requer a criação de um espaço para crianças, a adoção do sistema de energia solar porque constantemente há queda de energia no campus. Representantes da petição estão tentando uma reunião com a reitoria, que fica no Ceará.

Há denúncia ainda de racismo estrutural e institucional, pois a universidade sofre com a falta de verbas públicas. “A Unilab é a única universidade na América Latina com um projeto afroreferenciado que valoriza as culturas indígenas, ciganas. Essa estratégia de nos amontoar em um prédio pequeno, em período de pandemia é parte de uma política de matança que existe nesse território que não é de hoje. Isso tem gerado muita ansiedade e angústia em nós” pontua.

A Alma Preta entrou em contato com a assessoria de comunicação da Unilab pedindo um posicionamento sobre a petição. Por email, a assessoria enviou um arquivo de áudio do Reitor Pro Tempore da Unilab, Roque Albuquerque, em que ele afirma que desde sua nomeação tem buscado apoio. Ele ainda informa que a Unilab Ceará fez uma dotação orçamentária para corrigir todas as pendências que estavam lá, do RU, à impermeabilização do teto e reforma geral. Teria sido gasto cerca de R$ 954 mil reais “para deixar o prédio que foi doado pela prefeitura pronto”. Na parte de obras inacabadas, ele teria informado o Ministério da Educação da situação e diz ter apoio de deputados federais da Bahia, na Câmara Federal, via emenda parlamentar auxiliar a fase de acabamento. Para acessar a petição clique aqui.

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