COTIDIANO / Segunda, 12 Julho 2021 13:18

Um mês da morte de Kathlen Romeu é marcado por ato inter-religioso

Grávida de 3 meses, Kathlen foi vítima de suposta troca de tiros na comunidade do Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro; familiares, ativistas e líderes religiosos prestaram homenagem no último final de semana

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Divulgação/Rozângela Silva

Um mês da morte da jovem Kathlen Romeu é lembrado em ato inter-religioso
Introdução:

Grávida de 3 meses, Kathlen foi vítima de suposta troca de tiros na comunidade do Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro; familiares, ativistas e líderes religiosos prestaram homenagem no último final de semana

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Divulgação/Rozângela Silva

Após um mês do falecimento de Kathlen Romeu na Comunidade do Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, um ato inter-religioso foi realizado no último final de semana por familiares e amigos. A designer de interiores estava grávida de 13 semanas e trabalhava como modelo quando foi atingida por disparos de fuzil. O caso gerou comoção nacional por se tratar de uma uma operação policial indevida na localidade.

A reconstituição do crime está marcada para a próxima quarta-feira (14) e vai contar com a participação do policiais militares envolvidos na ação, que foram intimados. Os investigadores devem precisar de onde partiu o tiro que atingiu a jovem. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil. Foram apreendidos 12 fuzis e nove pistolas da PM usadas no confronto.

Com informações da assessoria de comunicação Rozângela Silva encaminhadas à Alma Preta Jornalismo, amigos fizeram um ato político e cultural e no último sábado (10), com a leitura de um manifesto "Em defesa da memória da Kathlen Romeu". Após a leitura e toque de berimbau, foi formada uma mesa liderada pelo Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos. Também estiveram presentes os líderes religiosos Marilucia Pinheiro, Pastor Kleber Lucas, Adull Karim Taha, Padre Gegê e Elias Pereira, pastor da comunidade da Gambá.

“É de suma importância prestar solidariedade para a família e tantos outros que sofrem com o descaso dos governantes. É o mínimo que podemos fazer, levar uma palavra de conforto. Que esse ato e outras atividades não fiquem em vão, é triste e angustiante ver essa família destroçada", declarou o Babalawô Ivanir dos Santos.

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Pais, tias, avó materna e paterna, sobrinhos, sogros, o companheiro da modelo e amigos, estiveram na homenagem. Para a mãe da jovem, é angustiante ter que clamar por justiça à memória de  Kathlen. “Ela era luz, alegria, festa, vida e abundância. Meu único desejo que eu posso colocar em prática é clamar por justiça à memória dela. Ninguém vai reparar o que eu sinto. Nem o tempo, nem as pessoas, nem a Justiça, nem o Estado", afirmou. 

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"A gente pretende fazer mais manifestos para honrar o nome da Kath e tentar, de alguma forma, melhorar a vida dos jovens que moram nas favelas do Rio de Janeiro", afirma o namorado da vítima, Marcello Ramos

Para Marcello Ramos, namorado da vítima, o ato serviu para mostrar que a luta por justiça não acabou. “Vamos homenagear a Kath e reivindicar, mais uma vez, justiça e que os culpados sejam punidos. E esse é só o começo. A gente pretende fazer mais manifestos para honrar o nome da Kath e tentar, de alguma forma, melhorar a vida dos jovens que moram nas favelas do Rio de Janeiro”, declarou. 

O ato seguiu com apresentação do MC Gallo, que cantou "Rap da Felicidade", funk carioca da dupla Cidinho & Doca. O MC Gil do Andaraí também marcou presença no coro. Ação ainda contou com distribuição de pipas para crianças e grafitagem nos muros da comunidade. 

A família afirma que continua aguardando novos passos nas investigações. Uma reconstituição do caso foi marcada para a próxima quarta-feira (14) na comunidade. Parentes e amigos pedem por celeridade na resolução do caso.  De acordo com a Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, que investiga o caso, foram apreendidos 12 fuzis e nove pistolas da Polícia Militar usadas no dia da morte da modelo. Enquanto as investigações seguem, a Polícia Militar do Rio de Janeiro declarou que afastou os agentes envolvidos na operação.

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