COTIDIANO / Terça, 20 Julho 2021 17:29

Travesti negra é mantida presa em porta-malas, amarrada e agredida a pauladas 

O caso aconteceu no bairro São Joaquim, na Zona Norte de Teresina (PI), na última segunda-feira (19); ativistas e organização pedem por justiça 

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Reprodução/Internet 

Travesti negra é mantida presa em porta-malas, amarrada e agredida a pauladas 
Introdução:

O caso aconteceu no bairro São Joaquim, na Zona Norte de Teresina (PI), na última segunda-feira (19); ativistas e organização pedem por justiça 

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Reprodução/Internet 

A veiculação de crimes de ódio e violência contra pessoas transexuais e travestis se tornou uma constante. A naturalização das práticas de tortura com a comunidade reiteram a falta de políticas públicas de proteção e valorização desta população. Na última segunda-feira (19), uma travesti negra, identificada como Amaral, foi mantida presa em um porta-mala, amarrada e agredida a pauladas no bairro São Joaquim, na Zona Norte de Teresina, no Piauí. Todo o ato aconteceu à luz do dia, frente a populares e a Guarda Municipal. 

O caso ganhou conhecimento ao ser veiculado nas redes sociais. Em vídeo publicado no instagram, é possível identificar que a vítima passa por ações de tortura orquestradas por homens que aparecem sem camisa e descalços. A travesti parece estar em um estacionamento de um residencial quando é colocada para fora do carro com os dois pés amarrados, impossibilitando-a de andar, e sendo coagida através de pauladas e de golpes que a deixam caída no asfalto.

Internautas apontam omissão e transfobia por parte da Guarda Municipal que é acionada e, durante o vídeo, olha para o espancamento da vítima e permanece inerte diante da situação. Populares chegam a pedir o fim das agressões, mas os autores das agressões falam de um possível roubo de um colar e de um gás de cozinha que a vítima, supostamente, teria feito. 

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Em resposta emitida à imprensa, a Guarda Civil Municipal de Teresina afirma que não presenciou o fato, uma vez que chegou ao local posteriormente e declara não concordar com a ação. “Em hipótese alguma, a Guarda Civil Municipal de Teresina defende que seja feita Justiça com as próprias mãos. Por fim, o comando da GCM vai avaliar se houve falhas no procedimento”, afirma a organização. 

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), rede de organização política de pessoas trans, compartilhou o caso e, em nota, exigiu uma resposta imediata para identificar e responsabilizar os envolvidos. “É inadmissível a espetacularização da violência contra pessoas trans de forma pública e aceita de forma naturalizada por quem assiste passivamente esse horror! Que ela seja levada à justiça pelo seu erro, mas que tenha suporte diante de tamanha violência. E que esses torturadores que aparecem no vídeo são denunciados, processados ​​e paguem pelo que fizeram. Tortura é crime!”, declarou a organização. 

Ativistas políticas também se manifestaram nas redes sociais e se mostraram indignadas diante do crime. A deputada estadual por São Paulo, Erica Malunguinho, destacou a sucessão de casos semelhantes registrados nos últimos meses e pontuou como situação alarmante. “Nos últimos meses, estamos presenciando assassinatos em massa de travestis e mulheres trans negras no Brasil. É inconcebível que pessoas trans continuem sendo violentadas e nenhuma ação efetiva de combate à essas violências seja tomada. Esse ciclo deve ser interrompido!”, disparou a parlamentar.

O pedido por medidas emergentes também foi compartilhado pela Co-deputada estadual pela mandata coletiva das Juntas, por Pernambuco, Robeyoncé Lima. “Inadmissível que a violência contra nossos corpos continue naturalizada dessa forma! Queremos resposta!”, exclamou a gestora.

Ainda de acordo com a Guarda Municipal, a suspeita foi algemada e, juntamente com os agressores, foram conduzidos à Central de Flagrantes de Teresina, no Centro-Sul da cidade. Em publicação realizada no fim da tarde desta terça-feira (20), a ANTRA comunicou que Amaral foi liberada e está sendo acolhida pelos movimentos locais e pela rede de proteção à violência LGBTIfóbica de Teresina. 

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