COTIDIANO / Sábado, 24 Abril 2021 16:10

Time de várzea Inajar de Souza lança novo uniforme contra todos os tipos de preconceito

Tradicional equipe da zona norte de São Paulo apresenta o lema “Xô preconceito”, com escritos em braille e libras

Texto: Redação | Imagem: Juh na Várzea

Na imagem quatro pessoas vestindo a camiseta do Inajar e vestindo máscaras. No meio, sentado, um rapaz branco com óculos, atrás dele um homem negro com o braço direito erguido e punhos fechados. Na esquerda uma mulher branca usando short. Na esquerda, uma mulher parda.
Introdução:

Tradicional equipe da zona norte de São Paulo apresenta o lema “Xô preconceito”, com escritos em braille e libras

Texto: Redação | Imagem: Juh na Várzea

O Inajar de Souza, um dos mais tradicionais e populares times da várzea paulistana, lança novo uniforme em forma de protesto contra todas as formas de preconceito. A nova camiseta do time repudia a discriminação de raça, gênero, sexualidade, mobilidade, capacidade, entre outras. O lançamento do novo uniforme está previsto para o dia 26 de abril, segunda-feira, na sede da agremiação, na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte.

A ideia do novo uniforme surgiu a partir de uma provocação da fornecedora de material esportivo da equipe, a King Sports. A empresa planejava desenhar camisetas conceituais de alguns dos times da marca, entre eles estava o Inajar de Souza na lista.

“Dado o preconceito estrutural existente em nossa sociedade, resolvemos ‘engrossar o caldo deste feijão’ e ao invés de retratar no nosso uniforme as nossas conquistas dentro das 4 linhas, optamos por confeccionar uma camisa conceito voltada para o nosso povo, para a nossa luta de conscientização contra o preconceito e a discriminação”, conta o diretor de esporte da equipe, Ricardo Boga, conhecido como “Magrão Inajar”. O uniforme será utilizado na disputa das competições em 2021.

A proposta de levantar a bandeira contra todas as formas de preconceito extrapolou a equipe de futebol e contagiou o Bloco Carnavalesco Inajar de Souza, que desfila no Grupo Especial de Blocos da UESP e existe desde 2005. Em 2022, o enredo do grupo será “Xô Preconceito”. A letra, composta por Mestre Colorado, Erik Kim, João e Maurício do Cavaco, diz “Eu não sou igual a ninguém, a sua diferença me faz tão bem, sou Inajar, peço respeito, xô preconceito...”.

Douglas Cordeiro, conhecido como Dodô Inajar e diretor do bloco e da equipe esportiva do Inajar de Souza, ressalta que a luta contra a discriminação faz parte do DNA da agremiação.

“O tema sempre se faz presente no dia a dia do nosso bloco e tivemos a ideia de mais uma vez deixar claro e marcar a nossa posição contra a discriminação através do nosso samba. Bob Marley acreditava que podia curar o racismo e o ódio literalmente injetando apenas música e amor na vida das pessoas. Nós do Inajar de Souza também acreditamos nisto”.

O Inajar de Souza é uma equipe tradicional da várzea paulistana, com 42 anos de vida. Para Ricardo Boga, a diretoria da equipe está segura da posição, independente de eventuais críticas.

“Temos esta posição no nosso DNA. Alguns pensamentos retrógrados (esperamos que poucos) poderão ser sentidos, entretanto não estamos preocupados com isto”, afirma.
inajarmateria

História

O Inajar de Souza surgiu em 28 de Agosto de 1978, depois da aproximação dos fundadores Ivan “Jacaré” (eterno presidente) e Jorge “Bodão”. A equipe surge a partir da dissidência com outra equipe localizada na Favela da Divineia, no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo.

Desde então, o Inajar de Souza coleciona sete títulos na equipe principal, entre eles, o Desafio ao Galo de 1987, o Super Galo em 1992, e a Copa GEAVI, em 2003, conquista materializada pelo maior troféu da várzea, com 3,3 metros de altura. A última conquista da agremiação ocorreu em 2019/2020, na categoria Master 50, com a vitória na Copa Anhanguera.

O clube também conta com uma categoria de base, o “Inajarzinho F.C”, projeto responsável por garantir novos talentos para a equipe principal. Outro destaque do time é a torcida, conhecida pelo nome de “Mil Grau” e agitada pela bateria cadenciada “Fúria do Índio”.

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