COTIDIANO / Quarta, 04 Agosto 2021 13:48

"Podemos chegar onde quisermos”, diz paratleta pernambucana rumo a Tóquio

Natural de Nazaré da Mata, Ana Cláudia Silva, a “Lalá”, está de malas prontas para representar o Brasil  nas categorias 100 metros rasos na classe T42 - para amputados ou com deficiência - e salto em distância no Japão

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Salatiel Cícero

“Somos mulheres negras, batalhadoras e que podemos chegar onde quisermos”, diz paratleta pernambucana rumo à Tóquio
Introdução:

Natural de Nazaré da Mata, Ana Cláudia Silva, a “Lalá”, está de malas prontas para representar o Brasil  nas categorias 100 metros rasos na classe T42 - para amputados ou com deficiência - e salto em distância no Japão

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Salatiel Cícero

Na última segunda-feira (2), a paratleta pernambucana Ana Cláudia Silva, a “Lalá”, partiu de solo pernambucano para vivenciar mais uma experiência proporcionada pelo seu amor aos esportes. Aos 33 anos, ela foi escalada para participar dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, no Japão, e defenderá o país nas categorias 100 metros rasos na classe T42 - para amputados ou com deficiência e salto em distância. Natural da cidade de Nazaré da Mata, região da Mata Norte de Pernambuco, a paratleta parte rumo à sua segunda Olimpíada Internacional. 

“Para mim, estar representando meu estado e a delegação brasileira, é uma sensação única, resultado de muito tempo de preparação. Representar o nordeste, então, é de uma felicidade ainda maior, por saber que somos batalhadores e fortes para irmos em busca dos resultados que queremos. É uma honra e prazer enorme”, conta a paratleta, em conversa com a Alma Preta Jornalismo

Filha única, de Maria da Conceição Moraes Martins, empregada doméstica, e José Eduardo da Silva, desempregado,  a paratleta ingressou na vida esportiva ainda na infância. Desde nova, a sua paixão estava voltada ao futebol, porém, um acidente em casa comprometeu o seu fêmur da perna direita, impossibilitando sua volta aos jogos com a bola. Diante dessa situação adversa, a pernambucana seguiu outros rumos na vida, mas, em 2014, atentou para sua vocação ao paratletismo.

O responsável pela mudança foi o antigo professor de educação física de Nazaré da Mata, que observou seu potencial esportivo e a encaminhou para o técnico Ismael Marques, do Núcleo de Educação Física e Desportivos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com quem trabalha até hoje. Foi ao lado dele que Ana ganhou notoriedade no cenário Internacional, nas provas de 100m e salto em distância na classe T42. 

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Sua rotina de treinos para os Jogos Paralímpicos foi intensa, com mais de 4 horas de atividades diárias, divididas entre os turnos da manhã e tarde, com saltos, corridas e academia. Além disso, vem recebendo acompanhamento especial de nutricionista, fisioterapeuta e preparador físico. Questionada sobre os possíveis resultados, Lalá traz um panorama do que está sentindo na pré-competição. “A expectativa é de dar o meu melhor. Trabalhei muito forte para isso e tivemos resultados importantes tanto nos treinos, como na última semana de seletiva antes da convocação. Então, posso dizer que estou bastante preparada e sei que os resultados, em Tóquio, serão bons”, afirma. 

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Lalá e o treinador Ismael Marques no embarque ainda no Recife. Os dois, que se encontram em isolamento em São Paulo, seguem para Tóquio no próximo sábado (7) 

Lalá, Ismael e a delegação de paratletas pernambucanos se encontram, atualmente, em isolamento em São Paulo, por conta da pandemia pela COVID-19. A concentração na capital paulista faz parte dos protocolos de segurança. Pelo menos cinco dias antes do embarque, todos os paratletas precisam ficar em isolamento e fazer testes. No próximo sábado (7), partem, enfim, para solo japonês, mais especificamente para a cidade de Hamamatsu, área japonesa com maior concentração de brasileiros, usada para aclimatação dos paratletas. 

Sobre a representatividade e as limitações que ser quem é poderiam gerar diante de uma sociedade que não inclui pessoas com necessidades especiais, a paratleta explica que o alcance mundial que terá pode servir de exemplo para o que mulheres negras, como ela, querem deixar de legado às demais. “É de uma grandiosidade ocupar esse espaço. Sabemos dos preconceitos no nosso dia a dia e do que as pessoas subjugam, dizendo muitas vezes que não somos capazes de vencer, mas estamos mostrando, na realidade, que conseguimos, sim. Nós temos garra para enfrentar os nossos desafios diários, quebrar barreiras e buscarmos, sobretudo, igualdade. Assim, quero mostrar com as olimpíadas que somos mulheres negras, batalhadoras e que podemos chegar onde quisermos”, declara e finaliza. 

A abertura oficial das Paralimpíadas está com data marcada para o próximo dia 24, entretanto, o comitê responsável ainda não disponibilizou o quadro das competições, contendo os dias e os horários. Atualizações serão dadas na página oficial da Lalá nas redes sociais. Os Jogos Paralímpicos seguem até o dia 5 de setembro e, na torcida da Lalá, muitos nordestinos orgulhosos acompanharão a sua participação. 

Reconhecimento não é de agora

Lálá já é considerada a melhor paratleta do Brasil e das Américas. Também é a segunda melhor do mundo nos 100 metros rasos na classe T42. Com a última conquista registrada ao ocupar o terceiro lugar no Mundial de Atletismo Paralímpico em Doha, no Qatar, em 2015, a paratleta conta com uma coleção de mais de 50 medalhas de  ouro, conquistadas em competições regionais e nacionais. Além disso, guarda ainda,  mais 2 de prata, e 1 de bronze. 

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