COTIDIANO / Quinta, 22 Abril 2021 13:33

Sem provas, Ministério Público denuncia lutador de MMA e rapper por roubo

Segundo a advogada de defesa, o único elemento que liga João Igo e Felipe Patrício ao roubo é a cor da pele; a Alma Preta teve acesso a imagens que mostram o trajeto dos acusados na data do suposto crime

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Nídia Gabrielle/TNM

A imagem mostra João Igo com uma jaqueta vermelha, preta e branca e Felipe com uma jaqueta cinza
Introdução:

Segundo a advogada de defesa, o único elemento que liga João Igo e Felipe Patrício ao roubo é a cor da pele; a Alma Preta teve acesso a imagens que mostram o trajeto dos acusados na data do suposto crime

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Nídia Gabrielle/TNM

A defesa do lutador de MMA Felipe Patrício (20) e do rapper João Igo (37) pediu o arquivamento de uma denúncia do Ministério Público que os acusa de roubo. Os dois homens são negros e, segundo a defesa, não há provas concretas que confirmem o crime ou justifiquem uma ação do Estado contra os dois. O juiz José Paulo Camargo Magano, do Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido de arquivamento do processo. 

Felipe e João foram presos no dia 2 de janeiro de 2021 e desde então lideranças populares da periferia onde eles moravam têm se mobilizado para pedir justiça.  Um pedido de habeas corpus foi aceito no dia 14 de janeiro, mas a denúncia que envolve os dois moradores do Campo Limpo se mantém.

“Nós vamos no processo até o final para provar a inocência deles. Estamos tentando todas as provas possíveis”, diz a advogada Irene Maestro, uma das advogadas da Luta Popular, que atua na defesa dos acusados.

Imagens de câmeras de segurança coletadas pela defesa mostram o trajeto feito por Felipe e João até o Terminal Pinheiros, onde foram presos. Irene conta que a única prova apresentada pelo MP na denúncia é o testemunho de um motorista de aplicativo que não viu o crime, mas prestou depoimentos a partir da descrição dos criminosos feita pela vítima. “Eles reconheceram que são dois jovens pretos, esse é o fato”, argumenta a defesa.

câmeras de segurança

As imagens mostram o trajeto de Felipe e João, saindo da Rua Amaro Cavalheiro até o Terminal de ônibus, em Pinheiros 

“O certo seria investigar, formar uma convicção mínima que atenda os processos legais e levar ao processo, mas não houve nenhuma investigação”, explica Irene. 

Entenda o caso

De acordo com o boletim de ocorrência, assinado pelo delegado Rafael Moreira Cantoni, a acusação é de que Felipe e João roubaram uma bolsa, um celular, um relógio e outros pertences de uma mulher na Rua Paes Leme, em Pinheiros, bairro rico da Zona Oeste de São Paulo. O crime aconteceu no dia 2 de janeiro, às 21h no local onde os jovens passaram às 21h25, segundo as imagens de câmeras de segurança.

Os dois foram abordados no Terminal Pinheiros, já a caminho da região de Campo Limpo e foram retirados pela polícia do ônibus em que estavam. Nenhum dos itens roubados estava com Felipe ou João que, mesmo assim, ficaram presos por mais de dez dias até a aprovação do pedido de habeas corpus.

Felipe e João atuam em ações de enfrentamento à fome no período da pandemia e em ações em prol do fomento da cultura nas periferias paulistanas. Segundo a defesa, o objetivo para os próximos dias é pressionar as autoridades através das redes sociais para trancar a ação penal amparada pela denúncia do MP. “O fato da gente se organizar ajuda muito a combater essa violência racista que acomete os nossos”, conclui Irene.

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