COTIDIANO / Quarta, 04 Agosto 2021 10:37

Secretário que xingou chef negra pede exoneração

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Fábio Vilas-Boas invade o restaurante Preta, em uma ilha de Salvador

Texto: Redação | Foto: Reprodução

Introdução:

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Fábio Vilas-Boas invade o restaurante Preta, em uma ilha de Salvador

Texto: Redação | Foto: Reprodução

O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, pediu exoneração do cargo na terça-feira (3), dois dias depois do episódio em que xingou a chef negra Angeluci Figueiredo de "vagabunda". O caso aconteceu no último domingo (1), após Fábio ter a reserva cancelada no restaurante Preta, na Ilha dos Frades, em Salvador. O estabelecimento teve que ser fechado por causa das más condições climáticas e de navegação, cumprindo uma recomendação da Capitania dos Portos da Bahia, órgão da Marinha.

O anúncio da exoneração foi feito pelo Twitter do ex-secretário, que, sem citar o caso, escreveu: "Entreguei, agora à tarde, minha carta com pedido de exoneração do cargo de secretário estadual de Saúde, que ocupava desde janeiro de 2015. A solicitação foi aceita pelo governador Rui Costa".

Imagens de câmera de segurança do restaurante mostram o momento em que Fábio Vilas-Boas chega ao restaurante, que estava fechado. O ex-secretário, que estava com a máscara pendurada no rosto, aparece mexendo no celular, quando pula uma mureta de madeira e invade o estabelecimento. Outras pessoas também aparecem dentro do restaurante e não é possível dizer se elas estavam acompanhadas do ex-secretário.

 

As ofensas à chef vieram à tona depois que ela compartilhou um print de WhatsApp em que mostra uma conversa com Fábio Vilas-Boas. Além de xingar Angeluci, o ex-secretário também ameaçou usar veículos de imprensa da Bahia para fazer comentários negativos sobre o restaurante Preta, um dos mais famosos da Bahia e frequentado por artistas.

Em um longo desabafo, Angeluci fez uma reflexão sobre a misoginia e racismo cometidos pelo então secretário estadual de Saúde.

"Reflita sobre a gravidade das duas palavras e sobre a inadequação e a vulgaridade delas. Como lhe disse, a roda da história gira, e, nesse giro, me desculpe, mas parece não ter lhe beneficiado. Veja bem em que lugar as circunstâncias históricas NOS COLOCARAM: o secretário, um médico bem sucedido, empresário, agropecuarista, homem branco, de família tradicional, etc, etc, alimentando a cultura da intolerância e dos tais privilégios ditos brancos, ofendendo moralmente uma mulher negra, chamando-a diretamente de vagabunda, e por quê? Pelo fato de razões climáticas terem lhe impedido um domingo de bem estar num restaurante localizado numa ilha sujeita a intempéries, como qualquer local no meio do mar. O senhor sabe o que é ser misógino, secretário? Sabemos que sim, o senhor sabe. Mas sabemos que nesse país ninguém é racista, ninguém é misógino. Aqui não há nunca vítimas, só vitimismo e mimimi, afinal devemos garantir que autoridades se sintam à vontade para sacar o telefone e chamar uma mulher de vagabunda, simplesmente porque pode, porque um desejo foi frustrado pelo tempo", diz a chef em um trecho da resposta.

Em uma rede social, o secretário fez um pedido de desculpas à chef Angeluci e tentou argumentar que "uma enorme frustração momentânea me levou, tomado de emoção, a dizer o que disse".

Com a saída de Fábio Vilas-Boas, a subsecretária Tereza Paim vai comandar a gestão estadual da Saúde até uma nova nomeação pelo governador Rui Costa, que deve ser divulgada nos próximos dias, segundo informou a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab).

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