COTIDIANO / Segunda, 28 Junho 2021 10:36

Massoterapeuta negro é perseguido em hotel de luxo em São Paulo

Vítima procurava um local para jantar quando foi seguida por um segurança do hotel Renaissance, localizado em região nobre da cidade

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Reprodução

fachada do hotel Renaissance em São Paulo onde aconteceu um crime de racismo
Introdução:

Vítima procurava um local para jantar quando foi seguida por um segurança do hotel Renaissance, localizado em região nobre da cidade

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Reprodução

Um dos mais conhecidos hotéis de luxo de São Paulo, o Renaissance, foi acusado de racismo em uma notícia crime apresentada na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) na capital paulista. Segundo a denúncia - que dará origem a um inquérito policial -, na noite do dia 14 de junho, um massoterapeuta negro foi seguido por um segurança por vários ambientes do hotel, que está localizado nos Jardins, quando procurava um local para jantar.

“O racismo deve ser combatido com o máximo rigor da lei! Não podemos mais aceitar que essa prática continue banalizada, naturalizada e se perpetuando. Quando nós, negros e negras, entramos em um estabelecimento comercial e já passamos a ser seguidos e vigiados é evidente que estamos diante de uma conduta motivada por preconceito e discriminação racial”, diz o advogado Caio Roberto Cortez, que apresentou a denúncia.

A vítima, que não quis ser identificada por conta do constrangimento, mora no Rio de Janeiro e estava em São Paulo a trabalho. Ele relatou que assim que passou pela porta giratória do hotel passou a ser seguido. O massoterapeuta sentou-se e notou que o segurança ficou à distância, bem à sua frente, “como se estivesse vigiando” - como relatou em um trecho da notícia crime.

A denúncia relata ainda que quando o massoterapeuta se levantou para ir até o bar do hotel, apressadamente o segurança caminhou em sua direção e parou na sua frente “como se fosse lhe dar passagem, mas com o intuito de intimidá-lo”. A vítima ficou ainda mais constrangida, pois um casal de pessoas brancas, que estavam no lobby, notaram a cena e passaram a observá-lo também.

Em entrevista à Alma Preta Jornalismo, a vítima contou que decidiu enviar uma mensagem para o hotel, via rede social, mas foi tratado de forma fria e impessoal. “Fiquei com uma sensação que nunca tive antes. Me senti muito para baixo, muito arrasado. Na hora eu fiquei com uma vergonha muito grande”, conta.

Segundo o rapaz, o abalo emocional impactou seu trabalho. “Foram uns cinco dias sem conseguir atender. [A] massagem trabalha os campos de energia e a minha energia parou de vibrar positivamente porque eu estava abalado pelo racismo. Eu era o único negro no local. Se fosse um branco, ele não seria seguido como eu fui”, conclui. 

O hotel Renaissance é um cinco estrelas que foi inaugurado em 1997, conta com mais de 400 quartos e atualmente é de propriedade da rede americana Marriot International. Os administradores são Idemar Burssed dos Santos Júnior, Rosana Kiyomi Okamoto e Vanessa de Lucca Martins.

A Alma Preta Jornalismo entrou em contato com o hotel sobre a notícia crime. Por e-mail, o Renaissance respondeu que não iria comentar a acusação de racismo, pois o caso está sob investigação policial. A mensagem do hotel também diz que eles estão “empenhados em garantir que todos os nossos hóspedes e visitantes tenham uma experiência confortável e memorável cada vez que estiverem conosco. Por isso, o hotel iniciou uma investigação interna sobre a situação exposta”.

Leia mais: Até quando a branquitude pedirá desculpas por seu racismo?

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