COTIDIANO / Quarta, 22 Setembro 2021 22:44

Prefeitura de SP garante distribuição de marmitas para população em situação de rua até dezembro

Após protesto, o programa "Cozinha Cidadã", que distribui diariamente 2 mil refeições, foi prorrogado; a capital paulista conta com uma população em situação de rua de 66 mil pessoas, sendo 70% dela negra

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Afonso Braga/ Câmara SP

reunião na câmara discute distribuição de marmitas para a pop de rua
Introdução:

Após protesto, o programa "Cozinha Cidadã", que distribui diariamente 2 mil refeições, foi prorrogado; a capital paulista conta com uma população em situação de rua de 66 mil pessoas, sendo 70% dela negra

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Afonso Braga/ Câmara SP

De acordo com o Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo (MEPSRSP), a capital paulista tem cerca de 66,3 mil pessoas em situação de rua - sendo 46,4 mil delas negras -, que estavam em risco de ficar sem a distribuição de marmitas do "Cozinha Cidadã". O programa emergencial que entregava 10 mil marmitas por dia sofreu redução para duas mil e iria terminar no próximo sábado (25). Em reunião com o presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo, Milton Leite (DEM), e a vereadora Erika Hilton (PSOL), Robson Mendonça, presidente do movimento, foi informado que a distribuição será prorrogada até dezembro.

“O ideal seria que o programa fosse garantido até o final da pandemia, que trouxe crise econômica e instabilidade social. Em São Paulo, a população em situação de rua aumentou em 50%. O corte na distribuição diária de 10 mil marmitas afeta tanto a população em situação de rua, como muitos desempregados que vieram para a capital em busca de trabalho ”, defende Mendonça.

Na nota distribuída após a reunião, o presidente da Câmara Municipal informou que garante “pelas mãos e sensibilidade” do prefeito Ricardo Nunes (MDB) a manutenção da Cozinha Cidadã até dezembro. O encontro foi fruto do protesto e da greve de fome iniciada por Mendonça na segunda-feira (20), quando se acorrentou no portão da Câmara.

De acordo com o presidente do Movimento da População em Situação de Rua, a principal reivindicação é a criação de um programa similar ao de restaurantes populares do governo do estado na capital. “Precisa ter um programa municipal. Tem famílias inteiras na rua, pessoas doentes, e é urgente que o projeto que cria o Bom Prato municipal seja aprovado logo”, afirma Mendonça.

Censo

Está em elaboração, para ser concluído ainda em 2021, um censo da população em situação de rua na cidade de São Paulo. Os dados coletados podem ajudar na construção de políticas públicas. O levantamento foi antecipado justamente por conta dos impactos provocados pela pandemia de Covid-19.

Os locais onde serão feitas as entrevistas foram definidos a partir de reuniões multissetoriais do governo municipal e entidades organizadas da sociedade civil. O Comitê Intersetorial de Políticas para População em Situação de Rua deve acompanhar todas as etapas da realização do censo.

De acordo com a prefeitura, o programa "Cozinha Cidadã" distribui 2.320 refeições por dia. Considerando os dados informados à Alma Preta Jornalismo pelo presidente do Movimento da População em Situação de Rua, em que 66,3 mil pessoas se encontram nas ruas, é o mesmo que dividir cada marmita por 28 pessoas.

Segundo os dados do Seade, a população negra representa 41% da população da capital, ou seja, a participação de negros entre as pessoas em situação de rua é 29 pontos percentuais acima da representatividade que existe na população em geral, indicando que o fator raça/cor têm relação direta com a vulnerabilidade social em São Paulo.

Leia mais: Covid-19: morre quase o dobro de negros do que de brancos no mesmo bairro em São Paulo

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