COTIDIANO / Terça, 18 Mai 2021 12:56

Plataforma de ensino remoto preserva tradições indígena e quilombola

Na Bahia, 650 alunos indígenas e quilombolas usaram a plataforma de educação em 2020. Agora, o projeto deve ser ampliado para mais 400 crianças da etnia Tumbalalá

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Carlos Penteado

Imagem mostra menina indígena deitada e com um livro na mão.
Introdução:

Na Bahia, 650 alunos indígenas e quilombolas usaram a plataforma de educação em 2020. Agora, o projeto deve ser ampliado para mais 400 crianças da etnia Tumbalalá

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Carlos Penteado

No povoado de Barra do Tarrachil, em Chorrochó, no extremo Norte da Bahia, 650 alunos da rede municipal, entre eles quilombolas e indígenas, usaram a plataforma de aprendizagem ativa Cloe, no ensino em sala de aula e online nas disciplinas à distância, durante o ano de 2020.

A metodologia de ensino da plataforma permite a adaptação do conteúdo às tradições e contempla a diversidade da região. Em 2021, o projeto será ampliado para a cidade de Abaré, perto de Chorrochó, para atender mais 400 crianças do povo Tumbalalá.

“Na escola da aldeia, a gente já desconstrói o ensino chamado convencional para fortalecer o ensino com as especificidades indígenas. Com a pandemia e a suspensão das aulas, os meus filhos foram matriculados na escola de Chorrochó para as aulas remotas”, conta Cecília Lopes Marinheiro, 43 anos, mãe do Isaque (9) e da Samy (7), do povo indígena Tumbalalá.

Cecília é coordenadora pedagógica em Abaré e acompanhou o período de aprendizagem online dos filhos, que estão no 3º e 1º ano do ensino fundamental, respectivamente. “É um modelo que destaca bem a diversidade. Depois de ler os textos e ver os vídeos, desenvolvemos juntos as atividades”, relata.

Com a plataforma os alunos tiveram contato com uma linguagem que aproxima aula com o cotidiano na aldeia. “No ensino remoto é importante a participação do pai e da mãe para que a nossa identidade não desapareça no meio da aceleração de informações e conhecimentos. Eu tive o cuidado para que os meus filhos pudessem estudar fora da aldeia, mas com um conteúdo que fizesse conexão com a nossa história e a nossa ancestralidade”, detalha Cecília.

Para a coordenadora pedagógica, é muito importante ter uma interculturalidade no trabalho dos professores indígenas, para mostrar o que é do próprio povo indígena e os novos conhecimentos.

Isaque e Samy, segundo a mãe, gostaram do conteúdo com questões culturais. “Ficou mais fácil de fazer a atividade porque tinha, por exemplo, dados sobre alimentos de várias culturas”, pontua. 

Mesmo na aldeia, as crianças ficaram mais tempo dentro de casa por conta da pandemia da Covid-19. “A minha filha reclamou de ter ficado ansiosa por passar muito tempo dentro de casa. Havia um conteúdo na plataforma, justamente para o primeiro ano que é a turma dela, que tratava de ansiedade em crianças e foi muito bom”, compartilha Cecília.

A plataforma Cloe foi desenvolvida pela Camino Education, que apoia escolas e educadores em diversos países.

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