COTIDIANO / Terça, 03 Agosto 2021 14:17

Parque da Consciência Negra: uma homenagem à negritude dentro da Cidade Tiradentes

Além da simbologia do nome, o parque localizado no extremo leste da capital paulista preserva as nascentes do Córrego Itaquera e da mata em estágio de regeneração

Texto: Letícia Fialho | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Letícia Fialho 

Área de atividades e lazer
Introdução:

Além da simbologia do nome, o parque localizado no extremo leste da capital paulista preserva as nascentes do Córrego Itaquera e da mata em estágio de regeneração

Texto: Letícia Fialho | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Letícia Fialho 

O Parque Municipal Linear Consciência Negra, que fica na Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, tem cerca de 163.000 m² de área total e surgiu através da luta da comunidade local predominante preta, visando a necessidade de preservação das nascentes do Córrego Itaquera e da mata em estágio de regeneração. Inaugurado no Dia da Consciência Negra, em 2009, em homenagem ao líder Zumbi dos Palmares e ao legado da cultura dos movimentos populares negros, é um dos parques mais biodiversos da região, atrás apenas do Parque do Carmo. 

A Cidade Tiradentes abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina, com cerca de 40 mil unidades. O bairro foi planejado como um grande conjunto periférico, para deslocamento de populações atingidas por obras públicas, assim como a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. A alta concentração populacional é acrescida de uma das maiores taxas de crescimento da cidade e problemas sociais. Segundo dados da Prefeitura Regional, são 52.875 famílias, deste total 8.064 famílias se encontram em situação de alta vulnerabilidade.  

Os próprios moradores da região plantaram um Baobá no dia da inauguração do parque. A árvore de origem africana representa a ligação entre o mundo sobrenatural e material nos mitos religiosos da tradição yorubá. Dentro do parque há equipamentos que valorizam e resgatam aspectos da cultura negra, como o espaço intitulado Grande Terreiro, ponto de encontro de debates que promovem a conscientização de diversos temas ligados à temática racial. Neste mesmo espaço são distribuídos preservativos masculinos e femininos para a população, contribuindo para a prevenção de gravidez indesejada e DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). 

muda baobáParque da Consciência Negra | Crédito: Letícia Fialho/Alma Preta Jornalismo

É possível desfrutar de toda a infraestrutura, que conta com quiosques, ciclovia, pistas de caminhada, mesa para jogos, campo de futebol, trilhas, além das áreas para prática de dança, roda de capoeira e apresentações culturais. “Uma coisa que seria legal e ainda falta no parque é um projeto sobre africanidades”, avalia Malcom da Silva, estudante do 3º ano do Ensino Médio, morador da Cidade Tiradentes. 

“Falta também o conserto de alguns brinquedos para as crianças e os bebedouros de água precisam de manutenção. É importante ter água para as pessoas se higienizarem e aqui só tem dentro do banheiro. Pensando na situação da pandemia da Covid-19, há necessidade dessas torneiras funcionando”, acrescenta Malcom. 

Procurada pela Alma Preta Jornalismo, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo afirmou que existe um cronograma de preservação e manutenção das áreas do parque. “É previsto um cronograma de serviços de roçagem e poda, além da limpeza diária do parque com varrição, coleta de lixo e resíduos”.

Em nota, a pasta também falou sobre a agenda de eventos presenciais no Parque da Consciência Negra, que foram suspensos durante a pandemia. “O Parque da Consciência Negra, assim como todos os outros parques municipais, não está realizando qualquer tipo de atividade presencial, a fim de evitar aglomerações por conta da pandemia da COVID-19”. 

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