No Recife, morre Mãe Amara de Xangô Aganjú aos 95 anos

O velório da líder religiosa acontece ao longo de todo dia de hoje no Ilê Obá Aganjú Okoloyá, em Dois Unidos. O sepultamento está marcado para amanhã, quinta-feira (4), no Cemitério Morada da Paz, em Paulista

Texto: Redação / Imagem: Divulgação

Faleceu, no Recife, uma das mais antigas sacerdotisas do culto às religiões afrodescendentes de Pernambuco, Mãe Amara De Xangô Aganjú. De acordo com a nota de falecimento divulgada por integrantes do Terreiro Ilê Obá Aganjú, do qual ela era líder espiritual, a ialorixá morreu enquanto dormia. A causa foi morte natural. 

O velório da líder religiosa aconteceu ao longo de todo dia de ontem no Ilê Obá Aganjú Okoloyá, em Dois Unidos, na casa de Xangô, onde ela morou. O sepultamento aconteceu na manhã desta quinta-feira (4), no Cemitério Morada da Paz, na cidade de Paulista, Região Metropolitana do Recife. 

Mãe Amara viveu 95 anos, sendo 77 dedicados aos orixás. Deixou seis filhos carnais e incontáveis filhos de santo. Era líder religiosa do terreiro Ilê Obá Aganjú Okoloyá e foi fundadora do Afoxé Oyá Alaxé.

“Hoje todos nós, sua família, seus filhos e filhas de santo choramos a perda da nossa Mãe Amara, nosso esteio, nossa base, nosso alicerce”, lamentou por meio de nota o Terreiro Ilê Obá Aganjú. Matriarca da Rede das Mulheres de Terreiros de Pernambuco, Mãe Amara também desenvolvia projetos sociais nos bairros de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife, e Iputinga, na Zona Oeste da cidade.

Sepultamento

Familiares, filhos de santo e a comunidade de terreiro do Recife compareceram ao sepultamento da líder religiosa na manhã desta quinta-feira (4). Vestidos de branco, os admiradores de Mãe Amara, puderam agradecer, com emoção, toda sua atuação em vida e sua importância social, política, cultural e religiosa para a população negra. Palmas e cânticos foram entoados em uma caminhada cheia de flores. 

 

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!