COTIDIANO / Quinta, 12 Março 2020 11:27

No bairro da Liberdade em SP, Memorial do Aflitos vira lei e resgata a história da população negra

O prazo para a definição da verba e do projeto termina no fim de março

Texto: Juca Guimarães | Edição: Simone Freire | Imagem: Caminhada São Paulo Negra/Divulgação

A cidade de São Paulo vai ganhar um novo equipamento de resgate histórico atendendo uma forte reivindicação do movimento negro. O Memorial dos Aflitos será instalado no sítio arqueológico com ossadas de pessoas escravizadas localizado no bairro da Liberdade, próximo à antiga praça da Forca, onde negros livres e negros escravizados eram executados publicamente.

“É imprescindível que este lugar seja demarcado. Ali se conta uma história de dor da população negra. Era um local onde se enterravam as pessoas que morriam na forca, eram negros, indígenas e muitos deles escravizados”, disse Guilherme Soares, jornalista e idealizador da Caminhada São Paulo Negra, projeto da Black Bird Viagens. Desde junho de 2018, a iniciativa faz passeios mensais pela região central contando detalhes sobre a cultura negra e memória de luta da população negra na cidade.

Segundo ele, embora somente a história referente à imigração oriental seja contada, o bairro da Liberdade nasceu sendo um bairro de população negra. “Por isso, contar essa outra história é importante e vai atrair mais pessoas para o bairro. Em 2018, já falávamos sobre a necessidade de um memorial, mas parecia uma utopia”, disse Soares.

A criação do Memorial dos Aflitos é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura. O local escolhido é o terreno que fica entre a rua Galvão Bueno e a rua dos Aflitos, logo atrás da Capela dos Aflitos, uma das construções mais antigas da cidade.

Raíssa Albano, do coletivo Cartografia Negra, organizado por estudantes da USP e que também promove passeios históricos para discutir a presença negra na construção e desenvolvimento da metrópole, lembra que o apagamento em relação à presença negra no centro colabora para que esqueçamos que esta população teve grande e importante participação na construção da cidade.

.“Ter um memorial é importante porque mostra que sempre estivemos ali. A população negra foi importante para a constituição da cidade. Ele também vai servir de reflexão para mostrar como a população negra sempre foi empurrada para as beiradas da cidade”, disse.

A lei 17.310/20, que institui a criação do memorial, foi sancionada em 29 de janeiro. O prazo para que o governo apresente uma verba e um projeto termina no final de março.

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