COTIDIANO / Quarta, 17 Fevereiro 2021 11:33

Negar recursos para matar a fome do povo é genocídio, diz militante do movimento negro

Movimento negro chama atenção para a urgência da garantia de renda com auxílio de R$ 600 até o fim da pandemia e vacinação contra a Covid-19 pelo SUS

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Getty Images

Introdução:

Movimento negro chama atenção para a urgência da garantia de renda com auxílio de R$ 600 até o fim da pandemia e vacinação contra a Covid-19 pelo SUS

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Getty Images

Para mais de 56% da população brasileira, que segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) se autodeclaram negras, a pandemia da Covid-19, que está prestes a completar um ano no país, deixou marcas profundas nas condições de vida.

“São 30 milhões de miseráveis passando fome e outros 60 milhões que poderão passar fome já na semana que vem. A crise é profunda e a maioria esmagadora dos que ficaram doentes com a Covid-19, dos que morreram por conta do vírus são pessoas negras. Assim como são negros aqueles que estão desempregados e ficaram sem recurso com o fim do auxílio emergencial”, dz o educador Douglas Belchior, da UneAfro Brasil, entidade que integra a Coalizão Negra por Direitos.

Na quinta-feira (18) representantes do movimento civil organizado e a Coalizão Negra por Direitos, que reúne centenas de entidades do movimento negro, farão protestos em 20 capitais do país exigindo providências imediatas do governo contra a pandemia. Confira os locais aqui.

Desde o início do período pandêmico, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), foram registrados 107,4 milhões de casos da Covid-19, com 2,3 milhões de mortes. No Brasil, até agora houve 239 mil mortes e 9,8 milhões de infectados. Para comparação, em toda a região africana, os dados da OMS apontam 67 mil mortes e 2,7 milhões de mortes por Covid-19. Ou seja, no Brasil a mortalidade do vírus é duas vezes e meia maior do que em todo o continente africano.

“No Brasil, houve uma ação deliberada do Estado e dos governos regionais que, de um lado, gerenciaram mal o desafio da pandemia e, por outro lado, negam recursos públicos para matar a fome do povo. Isso é genocídio”, analisa Belchior.

Os protestos convocados pelo movimento negro vão seguir os protocolos de segurança contra o novo coronavírus, por isso a organização recomenda o distanciamento de, pelo menos, dois metros, e o uso de máscaras. No Twitter, o rapper Emicida postou uma mensagem de apoio aos protestos do movimento negro pela vacinação da população e garantia da renda. “Pelo tempo que durar essas tragédia que atravessamos”, escreveu o artista.

“Não vamos ficar de braços cruzados diante da barbárie que estamos vivendo. É um momento de grande necessidade. Se o parlamento não consegue socorrer o nosso povo nesta situação, eu realmente não sei para que ele serve”, finaliza Belchior.

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