COTIDIANO / Segunda, 12 Julho 2021 13:35

No Recife, mulher é agredida e colocada para fora de ônibus por não ter o dinheiro da passagem

O caso aconteceu no final da última semana na linha 820 - T.I Xambá/Cabugá; a vítima, de 32 anos, voltava do centro do Recife quando foi agredida por fiscais privados

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Reprodução

Mulher é agredida e colocada para fora de ônibus por não ter dinheiro da passagem
Introdução:

O caso aconteceu no final da última semana na linha 820 - T.I Xambá/Cabugá; a vítima, de 32 anos, voltava do centro do Recife quando foi agredida por fiscais privados

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Reprodução

Desempregada, mulher é agredida e posta para fora de ônibus no Recife por não ter dinheiro suficiente para passagem do transporte. O caso aconteceu na última semana dentro da linha 820 - TI Xambá (Cabugá), da Empresa Caxangá. Um vídeo que circula nas redes sociais gerou indignação pela forma brutal em que foi retirada do veículo por três  funcionário do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano - empresa responsável pelo gerenciamento do transporte por ônibus na Região Metropolitana de Recife.

Nas filmagens, é possível identificar que três fiscais do Grande Recife que agem de forma violenta disparando com socos, pontapés e puxões de cabelo na vítima. De acordo com informações da Polícia Civil, que acompanha o caso, a reação dos funcionários se deu após a vítima tentar pular a catraca e se negar a sair. 

Após o ocorrido, a mulher prestou boletim de ocorrência na Delegacia de Peixinhos, em Olinda, e apresentou escoriações e dores na região do abdômen e tórax. Segundo seu depoimento, a vítima afirmou ter ido ao centro da cidade para realizar um trabalho informal como vendedora ambulante sob a justificativa de que está sem renda fixa e desempregada. 

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Em nota de repúdio nas redes sociais, o vereador de Olinda, Vinicius Castello (PT) publicou o vídeo e denunciou, além da violência, outras posturas da empresa que não atendem a  Declaração Universal dos Direitos Humanos. “A quem serve o Grande Recife Consórcio? A população ou aos empresários que apenas visam o lucro e permitem que seus usuários se aglomerem sem qualquer medida sanitária durante uma pandemia? Acompanharei o caso de perto e buscarei punição e responsabilização para os responsáveis, sejam eles os seguranças ou as empresas e seus donos”, disparou o parlamentar.

Em resposta ao caso, a A Caxangá Empresa de Transporte Coletivo afirmou, em nota, que repudia a atitude da equipe de fiscalização que abordou a passageira. “O comportamento é inadmissível e não condiz com os valores e práticas adotadas pela empresa. A Caxangá esclarece que já identificou a ocorrência através das câmeras de segurança do ônibus e instaurou sindicância interna para investigar o caso”, declarou. 

A empresa ainda afirmou que a equipe de fiscalização que operava na linha foi prontamente afastada e permanecerá com suas atividades suspensas até a conclusão da apuração. 

O posicionamento foi confirmado pelo Consórcio Grande Recife. “O Grande Recife informa que não compactua com a ação dos fiscais da empresa Caxangá e repudia a agressão à usuária. Por isso, o Consórcio já notificou a operadora por conta do ocorrido e solicitou o afastamento dos profissionais envolvidos. A empresa já foi acionada para que disponibilize as imagens das câmeras do ônibus e o órgão gestor orientou a usuária agredida a prestar queixa na delegacia”, afirmam em nota encaminhada à Alma Preta Jornalismo. 

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