COTIDIANO / Terça, 16 Março 2021 12:02

Brasil tem mais mortes pela Covid-19 do que todos os países da África

Enquanto o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de vidas perdidas, a África do Sul, por exemplo, está em 16º; médica avalia que situação não deve ser muito diferente com o novo e quarto ministro da Saúde

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Marcello Casal/ Agência Brasil

mortes
Introdução:

Enquanto o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de vidas perdidas, a África do Sul, por exemplo, está em 16º; médica avalia que situação não deve ser muito diferente com o novo e quarto ministro da Saúde

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Marcello Casal/ Agência Brasil

O Brasil já vacinou 9,7 milhões de pessoas contra a Covid-19, o que corresponde a 4,7% da população. O avanço é pequeno se comparado a posição que o país ocupa no ranking mundial de mortes causadas pela doença, de acordo com dados do Our World in Data até 15 de março, ocupamos o segundo lugar com mais de 278 mil vidas perdidas, atrás apenas dos Estados Unidos, que contabiliza quase o dobro.

A partir da análise do monitor Worldometer, na última semana o Brasil registrou alta na média diária de mortos, enquanto outros países, a exemplo do Reino Unido, Itália e Índia, registraram queda ou estabilidade no número de vítimas do novo coronavírus e suas variantes. 

O mesmo acontece com o número de vítimas nos países do continente africano, a África do Sul, por exemplo, está na 16ª posição do ranking, com cerca de 51 mil mortes e pouco mais de 6% da população vacinada. Embora o acesso à vacinação por lá seja um grande problema, de acordo com a OMS, os países estão em uma posição menos crítica que o Brasil. 

Segundo a mestre em Patologia Humana, Zezé Menezes, o lugar ocupado pelo Brasil no ranking é consequência da atuação governamental. “A agenda do país não condiz com as condições plenas de respeito às medidas dadas pela ciência. Com a quantidade de pessoas formadas em diversas áreas científicas e que podem monitorar tudo isso a partir do uso da tecnologia, nada disso está sendo usado para controlar a situação que estamos vivendo”, afirma.

“Muito do comportamento que a população vê de ignorar o isolamento social ou o uso de máscara, é reflexo da atitude do nosso chefe de estado e essa é uma atitude criminosa”, acrescenta a médica. Desde o início da pandemia no Brasil, em fevereiro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) se mostrou contrário às recomendações da Organização Mundial da Saúde, questionou o uso de máscaras e realizou aglomerações registradas pela imprensa.

Brasil mudou de ministro da Saúde quatro vezes

O novo ministro a assumir a pasta da Saúde no governo federal é o médico cardiologista Marcelo Queiroga. Já familiarizado com a família do presidente Bolsonaro, Queiroga disse à imprensa que a equação para resolver a pandemia depende de muitas variantes e que a doença exige tratamento mais especializado.

Queiroga é o quarto ministro à frente da pasta no último ano. Depois de Henrique Mandetta, Nelson Teich, quatro meses sem nenhum responsável oficial no comando e o General Eduardo Pazuello, que teve a saída anunciada na segunda-feira (15). A vida da população negra, quilombola e periférica é considerada como a mais exposta e vulnerável desde o início da pandemia

Mesmo com a possibilidade de mudança, segundo Zezé, a redução de mortes em decorrência da doença no país não deve diminuir. “É quase impossível que essa agenda seja modificada, já passamos um ano vendo a população morrer e nada foi feito. O governo não tem como objetivo mitigar essa situação de emergência sanitária que estamos vivendo”, conclui a médica.

 Apoie jornalismo preto e livre!

 O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de   financiamento coletivo e de outras ações com apoiadores. 

 Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos   equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor. 

 O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

 Acesse aqui nosso Catarse

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece. Se inscreva e receba nossas notícias toda semana.

VÍDEOS

boletim40.jpg
boogienaipe.jpg
ileaiyeemsalvador.jpg
juventudeeracismo.jpg