COTIDIANO / Sábado, 03 Julho 2021 21:55

Morre Helaine Martins, criadora do projeto “Entreviste um Negro”

A jornalista sofreu uma parada cardiorrespiratória na tarde deste sábado (3), em São Paulo; Informações sobre o sepultamento da ativista antirracista ainda não foram divulgados

Texto: Giovanne Ramos | Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Imagem de reprodução. Na foto, uma selfie de Helaine Martins.
Introdução:

A jornalista sofreu uma parada cardiorrespiratória na tarde deste sábado (3), em São Paulo; Informações sobre o sepultamento da ativista antirracista ainda não foram divulgados

Texto: Giovanne Ramos | Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

A jornalista e editora Helaine Martins morreu na tarde deste sábado (3) após uma parada cardiorrespiratória, aos 41 anos. A informação dada pelos amigos mais próximos da também editora é de que ela passou mal e faleceu na mesma tarde.

Carioca, mas de família do Belém do Pará, Helaine se tornou conhecida pelo plano de tornar o jornalismo plural e diverso, principalmente com o seu projeto “Entreviste um Negro”, fundado em 2005 com parceria entre a jornalista e o veículo Mundo Negro, que estimula a escolha de profissionais negros como fontes de pautas diversas do meio jornalistíco independente do assunto e do tema.

Entre os outros projetos de Helaine, estava o Expresso na Perifa, hub de conteúdo multimídia resultado da parceria entre o jornal Estadão e a 99, empresa de tecnologia ligada à mobilidade. A jornalista foi confirmada como editora convidada do projeto na madrugada do dia 2 de julho no site do Estadão. O Expresso na Perifa tem como foco adaptar conteúdo e linguagem à cultura de quem vive na periferia em conjunto com coletivos.

Helaine se formou no curso de jornalismo em 2003 pela Universidade Federal do Pará. “Sempre tive o sonho de ser jornalista. Não me lembro de querer ser outra coisa. Aos 10 anos, meu presente de aniversário foi uma assinatura do jornal O Globo e eu lia o jornal todo, todos os dias. Quando prestei vestibular, não tive dúvidas em me inscrever para jornalismo na Universidade Federal do Pará, onde me formei em 2003", contou em 2018 para a plataforma Plano Feminino.

Trabalhou com comunicação organizacional em assessorias de empresas e órgãos governamentais. Se mudou para São Paulo em 2003, onde passou a atuar como freelancer e produtora de conteúdos com impacto social. Já trabalhou em projetos para empresas como TAM, Petrobrás e Pepsico.

Em 2014, impulsionada pelo seu interesse em estudos sobre feminismo e questões raciais, fez pós-graduação em Cultura, Educação e Relações Étnico-Raciais, na ECA/USP, onde nasceu a ideia dos seus principais projetos: Entrevista um Negro e Idánimo. Fora do ambiente jornalístico, escreveu três livros, sendo um deles como participante da coletânea “Eu amo correr”, da série “Eu amo…", da editora Mol.

Todos os procedimentos do sepultamento estão sendo realizados. Ainda não foi divulgado publicamente pela família o local e data de sepultamento e mais informações sobre a sua morte.

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