COTIDIANO / Segunda, 07 Março 2022 12:28

Prefeitura interdita casa da Mulher Negra de Mauá sem dar motivo

Espaço é uma referência de apoio para vítimas das enchentes e mulheres em situação de vulnerabilidade; uma mulher com três filhos e uma neta foi expulsa pela CGM de Mauá no último sábado (5)

 

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Laura Passarella

Introdução:

Espaço é uma referência de apoio para vítimas das enchentes e mulheres em situação de vulnerabilidade; uma mulher com três filhos e uma neta foi expulsa pela CGM de Mauá no último sábado (5)

 

Autor:

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Laura Passarella

Uma ação sem respaldo jurídico da Guarda Civil Metropolitana de Mauá interditou a ocupação Casa Helenira Preta 2 - Ocupação da Mulher Negra, no bairro da Vila Mercedes, desalojando a zeladora do local com três filhos pequenos e uma neta na tarde do último sábado (5), enquanto representantes de movimentos sociais estavam em negociação com a prefeitura.

Desde a ação, um grupo de moradores permanece em vigília na porta da ocupação. Para invadir o local, a GCM quebrou um cadeado e ainda revirou os pertences da zeladora.

A Casa Helenira Preta 2 existe há oito meses e surgiu a partir do movimento popular de luta por mais creches na região. O espaço tem uma horta comunitária, promove saraus, oficinas de recreação para crianças, aulas de defesa pessoal para mulheres, além de funcionar como creche popular e espaço para reuniões e assembleias.

“Além de um espaço seguro para as mulheres e crianças da periferia, em que  promovemos cultura, educação, lazer, etc, a ocupação é uma denuncia ao abandono do Governo do Estado de uma escola na cidade de Mauá, enquanto mais de três mil crianças estão na fila da creche”, disse Luiza Fegadolli, coordenadora da Casa da Mulher Negra.

A casa, que fica na rua Cícero Rodrigues da Silva, também apoia as ações de solidariedade para as famílias vítimas das enchentes que atingiram toda a região.

No final de semana, o pré-candidato à presidência da República pelo partido UP (Unidade Popular), Leonardo Péricles, esteve em Mauá e visitou as ocupações do movimento por moradia popular.

“Isso que a CGM fez é uma ação de guerra contra os pobres e é inconstitucional. Era uma área já ocupada e que não cumpria nenhuma função social. O direito absoluto à propriedade é da República Velha, isso acabou. Quer gostem ou não os latifundiários e os ricos, em 1988 foi aprovada a nova Constituição, que também garante o direito à propriedade, mas que garante também o direito à moradia. Quem comete crime é quem deixa a propriedade abandonada”, aponta Péricles.

A ação da GCM de Mauá foi feita sem mandato judicial. Na manhã de domingo (6), uma equipe da Defesa Civil da cidade fez uma vistoria no local, porém, os advogados da ocupação foram impedidos de entrar na ocupação.

Também em Mauá, a ocupação Antonio Conselheiro, que fica em um terreno público abandonado há mais de dez anos no Jardim Estrela, conseguiu uma decisão liminar provisória para impedir a reintegração de posse. A ação da GCM na ocupação Helenira Preta 2 ocorreu enquanto acontecia um ato em defesa da ocupação Antonio Conselheiro e uma reunião entre representantes dos movimentos populares e secretários municipais da gestão do prefeito Marcelo Oliveira (PT). Pelas redes sociais, começou uma campanha para que seja liberada a ocupação Helenira Preta 2.

A Alma Preta Jornalismo entrou em contato com a prefeitura de Mauá para saber qual a situação da ocupação e porque foi feita a interdição pela CGM. Quando a prefeitura se posicionar, a reportagem será atualizada.

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