A lei que vale para o funk também deveria valer para o presidente, diz pesquisadora

Polícia Civil do Rio de Janeiro pediu na terça-feira (2) prisão cautelar de 14 responsáveis por organizar bailes funk nas comunidades durante a pandemia, entre eles Mc Poze do Rodo, Negão da BL e DJ Markinho da Jaca

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Reprodução/Redes sociais

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Introdução:

Polícia Civil do Rio de Janeiro pediu na terça-feira (2) prisão cautelar de 14 responsáveis por organizar bailes funk nas comunidades durante a pandemia, entre eles Mc Poze do Rodo, Negão da BL e DJ Markinho da Jaca

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Reprodução/Redes sociais

O pedido de prisão cautelar de 14 responsáveis por organizar bailes funk em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia da Covid-19, incluindo Mc Poze do Rodo, Negão da BL e DJ Markinho da Jaca, demonstra como a aplicação das leis funcionam de maneira desigual no Brasil. É o que aponta a pesquisadora e dançarina Renata Prado, que estuda e convive com a cultura do funk há quase 20 anos.

“O presidente do Brasil [Jair Bolsonaro] deveria ser autuado por promover aglomeração na praia e posar para fotos com dezenas de pessoas sem máscara”, exemplifica Renata. “O que vale para os artistas do funk, deveria valer para o presidente também”, considera ela, que estuda Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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Sem máscara e sem distanciamento, presidente Jair Bolsonaro posa para foto com seguidores durante a pandemia da Covid-19, em 2020. Foto: Alan Santos

Segundo a Polícia Civil do Rio, os artistas e os demais responsáveis pela organização dos bailes nas comunidades do Jacarezinho, Pedreira, Acari, Castelar e Belford Roxo durante o carnaval devem responder judicialmente por infração de medida sanitária preventiva, epidemia e associação ao tráfico de drogas.  Ainda de acordo com a polícia, os eventos irregulares violaram decretos do isolamento social, contra a aglomeração, e também descumpriram a Lei do Silêncio, em vigor a partir das 22h.

No Twitter, MC Poze pediu paz e disse que a família depende dele. “Minha vida não tem paz, oque eu fiz pra merecer tudo isso !!! Tbem sou pai de família tenho família que depende de mim porque isso comigo porque vim da favela , deixa eu viver e ser feliz com minha família por favor", escreveu.

A imparcialidade da imprensa e a rapidez como o movimento funk foi jogado no centro da cobertura sobre a resistência às medidas de sanitárias preventivas são dois pontos que a pesquisadora destaca ao comentar o viés racista e preconceituoso como o funk é tratado.

“Qual a intenção da mídia em misturar os nomes de artistas do funk com supostos traficantes de entorpecentes? Temos que fazer esse questionamento. Além disso, tem um monte de gente quebrando a quarentena e só a massa funkeira vai pagar a conta”, reforça Renata.

A estudiosa lembra ainda que os donos dos bares da zona Sul do Rio de Janeiro, na área mais rica da cidade, não tiveram o mesmo tratamento que os funkeiros ao violarem os decretos por conta da pandemia.

“Os empresários e donos dos bares da zona Sul estão promovendo aglomerações nas esquinas mais caras do Estado do Rio de Janeiro. Essas pessoas, que também são conhecidas, não estão sendo indiciadas e nem presas pela Polícia Civil”, detalha Renata.

Nos últimos anos a perseguição ao funk variou de intensidade, porém, nunca deixou de existir. No último fim de semana, o MC Salvador da Rima foi vítima de violência policial. As imagens dele sendo arrastado e levando um mata-leão de policiais militares, sem motivo algum tiveram grande repercussão nas redes sociais. 

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