COTIDIANO / Sexta, 01 Abril 2022 18:42

Juíza manda soltar irmãos acusados, sem provas, de roubo de carro

Prisão em flagrante presumido aconteceu em 1º de março; os irmãos estavam num bar com o pai e distantes 3 km do local dos roubos

 

Texto: Juca Guimarães I Edição: Pedro Borges I Imagem: Arquivo da família

Luiz e Gustavo foram acusados de roubo, sem provas, irmãos ficaram 1 mês presos
Introdução:

Prisão em flagrante presumido aconteceu em 1º de março; os irmãos estavam num bar com o pai e distantes 3 km do local dos roubos

 

Autor:

Texto: Juca Guimarães I Edição: Pedro Borges I Imagem: Arquivo da família

Os irmãos Gustavo Borges Marques (20 anos) e Luiz César Marques Junior (24 anos) aproveitavam o final do feriado da terça-feira de Carnaval com o pai, em um bar de Diadema, na região do ABC, quando foram presos em flagrante presumido por policiais militares. Eles foram acusados de roubar dois carros, a cerca de 3 km de distância, com base no fato de um dos carros estar estacionado perto do bar.

Luiz e Gustavo, que são negros, ficaram 30 dias presos e hoje, dia 1º de abril, a juíza Cecília Nair Prado Euzébio, da 1ª Vara Criminal de Diadema, determinou a revogação da prisão preventiva e mandou emitir o alvará de soltura dos irmãos, que estão no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Diadema.

A juíza entendeu que, diante das evidências apresentadas pela defesa, a prisão deve ser substituída por medidas cautelares e os jovens podem ficar em liberdade, enquanto seguem as investigações.

A advogada de defesa dos irmãos, Monique Amorim, explicou para a Alma Preta Jornalismo que a prisão dos jovens foi marcada por erros e preconceitos.

“Eles foram levados para delegacia e o procedimento de reconhecimento foi feito com eles dois ao lado de apenas um homem gordo, quando a lei diz que precisa ter mais pessoas e que elas devem ser semelhantes. Além disso, há divergências entre a cor da camiseta deles e a cor da camiseta que uma das vítimas diz ser a do verdadeiro assaltante”, comentou a advogada.

Além do pai dos rapazes, outras pessoas que estavam no bar conversaram e interagiram com os dois jovens, no mesmo momento em que os carros estariam sendo roubados em outro local.

“Na delegacia, porém, o delegado de plantão não quis ouvir uma dessas testemunhas que podem provar a inocência dos irmãos”, comentou a advogada.

No dia seguinte, enquanto Luiz e Gustavo estavam na prisão, o segundo carro roubado foi localizado pela polícia, mas o suspeito conseguiu fugir dos policiais.

“Outro ponto que não faz sentido é que os dois carros foram roubados e os suspeitos saíram dirigindo cada qual um carro, mas quando prenderam os irmãos só tinha um carro”, disse Monique.

A advogada diz ainda que o pai dos garotos, na tentativa de achar provas para inocentar os filhos, conseguiu a imagem de uma câmera de segurança que mostra uma outra pessoa chegando com o carro roubado e estacionando ele perto do bar.

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