COTIDIANO / Segunda, 10 Mai 2021 08:08

Imigrantes protestam contra massacre e governo da Colômbia

Na Avenida Paulista, em São Paulo, manifestação pacífica com música e discursos lembrou os casos de violência, que acontecem desde o dia 28 de abril contra os grevistas no país colombiano

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Andrés Olivos

Imagem mostra imigrantes colombianos em protesto na Avenida Paulista
Introdução:

Na Avenida Paulista, em São Paulo, manifestação pacífica com música e discursos lembrou os casos de violência, que acontecem desde o dia 28 de abril contra os grevistas no país colombiano

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Andrés Olivos

O Brasil registrou, entre 2010 e 2019, a entrada de 32.556 imigrantes vindos da Colômbia, segundo o Sistema de Registro Migratório da Polícia Federal. No domingo (9) os colombianos fizeram um ato pacífico para denunciar a onda de violência contra a população, que protesta desde o dia 28 de abril contra o governo de lá. A média é de 54 desaparecidos e cinco assassinatos por dia de greve geral.

Os relatos dos grevistas, em redes sociais e mídias livres, dão conta de assassinatos, desaparecimentos forçados e estupros em cidades colombianas. A ONG de Direitos Humanos Temblores, de Bogotá, contabiliza, entre 28 de abril e 8 de maio, 47 assassinatos, 39 deles cometidos pelas forças de segurança. Além de 963 prisões arbitrárias, 548 pessoas desaparecidas, 278 agressões cometidas por policiais e 12 casos de estupros de muheres colombianas.

O professor de línguas e tradutor Andrés Olivos nasceu em Bogotá, na Colômbia, e esteve no ato do domingo. Ele tem 32 anos de idade e mora há sete anos na capital paulista.

“Nas últimas duas décadas, o país tem sido governado pela ultra direita e aumentou a repressão dos movimentos sociais, das organizações de luta das minorias. Além disso, aconteceram muitos assassinatos de líderes sociais e execuções extrajudiciais”, conta Olivos.

A principal figura do poder repressor na Colômbia é o ex-senador e ex-presidente Álvaro Uribes Vélez,  que governou o país entre 2002 e 2010.

“Ele é o verdadeiro presidente da Colômbia, o outro [Iván Duque Márquez] é uma marionete. O colombiano não quer mais esse governo, que precisa dar um espaço para as pessoas respirarem, para acabar com mais de 50 anos de guerra na Colômbia”, considera o engenheiro de informática, Leonardo Martinéz, 37 anos, que está há oito anos no Brasil.

Segundo o imigrante, a constante instabilidade política na Colômbia e a violência fazem parte de um projeto político da extrema direita. “O governo coloca o povo para brigar contra o povo. A polícia é o povo e está matando os seus irmãos”, avalia.

Há sete anos no Brasil, a colombiana Lina Lorena, 28 anos, comentou na manifestação que o atual governo colombiano não tem conexão com a realidade do povo, principalmente com o agravamento da crise econômica, por conta da pandemia.

“O governo quis elevar os impostos. Os colombianos estão morrendo de fome e o ministro da Fazenda não sabe nem quanto custa um ovo. É um grupo político que nem sabe a situação real do país”, explica a imigrante, que nasceu na cidade de Ibagué, no departamento de Tolima.

Dos 47 assassinatos registrados na greve geral colombiana, 35 foram na cidade de Cali. Do total de colombianos mortos, 13 tinham idade entre 18 e 25 anos e 12 tinham entre 26 e 36 anos de idade.

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