COTIDIANO / Quarta, 15 Setembro 2021 11:29

Homem negro precisa baixar as calças em banco para comprovar prótese de metal

Marcelo Cabral foi barrado na porta detectora de metal mesmo após informar que tinha a prótese

Texto: Redação | Foto: Reprodução/Vídeo

Introdução:

Marcelo Cabral foi barrado na porta detectora de metal mesmo após informar que tinha a prótese

Texto: Redação | Foto: Reprodução/Vídeo

Um homem negro foi submetido a uma situação constrangedora em um banco na cidade de Vitória, no Espírito Santo, depois de ser barrado na porta com detector de metal mesmo após informar que tinha uma prótese de metal. O caso aconteceu na última sexta-feira (11), na agência da Caixa Econômica, no bairro do Jucutuquara.

Em relato no Facebook, Marcelo Cabral narrou que antes de passar pela porta giratória, informou ao segurança que tinha a prótese de metal no quadril. Mesmo após colocar o celular e moedas no compartimento da porta, a entrada dele foi negada por três vezes, mesmo tendo avisado ao segurança que tinha a prótese.

"Eu, retirei meu aparelho celular do bolso e coloquei no compartimento. Me dirigi a porta giratória e tentei acessar o banco. A porta travou, retornei a posição original. Fui pedido para conferir se havia moedas no bolso, retirei 2 moedas do bolso e novamente tentei entrar. A porta mais uma vez travou. Voltei mais uma vez ao início, pediram pra que eu conferisse novamente se não tinha nada. Conferi e novamente fiz a tentativa. Mais uma vez a porta travou".

Diante da situação, Marcelo conta que questionou o segurança o motivo dele não acreditar que ele tinha a prótese no quadril e após a esposa dele entrar e tentar conversar com os funcionários do banco, resolveu abaixar a calça e mostrar a cicatriz da cirurgia no quadril.

"Passando um constrangimento absurdo pq naquele momento o banco estava cheio de clientes e todos inconformados com a atitude do segurança e, vendo minha dor pelo constrangimento". 

No relato, Marcelo continuou dizendo que, além do constrangimento, não soube definir se o caso se enquadra como racismo e por isso acabou não prestando um Boletim de Ocorrência.

"Até agora não sei que tipo de vítima eu fui. Se de racismo, ou de qualquer outra situação criminosa. Só sei que foram momentos em que eu desejei matar uma pessoa de tanta raiva", afirmou.

A Alma Preta procurou a assessoria da Caixa, que informou, em nota, que repudia atitudes de preconceito e que está apurando o caso e eventuais medidas cabíveis. Disse ainda que "orienta os clientes que comuniquem a equipe de segurança das agências sobre utilização de próteses e órteses para que seja adotado um procedimento diferenciado na triagem, com o objetivo de garantir a agilidade no acesso e a preservação da segurança de todos", recomendação essa que Marcelo relatou ter seguido.

"Ressaltamos ainda que as relações da CAIXA com seus clientes e usuários são orientadas pela ética, com respeito aos direitos humanos universais", completa a nota.

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