COTIDIANO / Quarta, 10 Novembro 2021 13:02

Há 52 anos, o governo Médici proibia notícias sobre discriminação racial no país

O General Emílio Garrastazu Médici ficou conhecido como responsável pelos “Anos de Chumbo” - período mais repressor do regime militar; censura à imprensa acarretou na demissão de jornalistas 

Texto: Victor Lacerda | Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Agência Nacional 

Há 52 anos, governo Médici proibia veiculação de notícias sobre movimento negro e discriminação racial no país
Introdução:

O General Emílio Garrastazu Médici ficou conhecido como responsável pelos “Anos de Chumbo” - período mais repressor do regime militar; censura à imprensa acarretou na demissão de jornalistas 

Texto: Victor Lacerda | Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Agência Nacional 

Há exatos 52 anos, em 10 de novembro de 1969, o então presidente da república, General de Exército Emílio Garrastazu Médici, conhecido apenas como ‘Médici’, proibia veiculação de notícias sobre discriminação racial e feitos do movimento negro. A decisão também se estendeu à indígenas e articulações de guerrilha no país. Não foi a primeira e nem a última vez que a imprensa sofreu com repressão e censura. Entretanto, é importante relembrar quando e quem articulou o silenciamento da mídia afim de se manter no poder e invisililizar as pautas da população negra e indígena.

Médici foi o 28º presidente da República e governou entre 30 de outubro de 1969 e 15 de março de 1974. O então gestor ficou conhecido como responsável pelos “Anos de Chumbo” - período dos mais repressores do regime militar -, e pela euforia implementada sobre a economia, o “Milagre Econômico”, que, na teoria, prezava pelo desenvolvimento financeiro do país, mas se embasava em empréstimos e dívidas com o mercado exterior. 

No mesmo período, a repressão aos órgãos de imprensa também foi intensificada, tendo um controle massivo sobre as matérias publicadas e as investigações trabalhadas dentro dos veículos. Médici foi responsável por ser o “fantasma” do desemprego, na época, para os jornalistas, por exercer poder e determinar a demissão de diversos profissionais que atuavam em jornais assim como promover o corte de peças publicitárias veiculadas nos meios de comunicação, entre outras ações arbitrárias. 

Entretanto, o mesmo governo se utilizou da imprensa para trazer uma visão positiva do regime militar. Os conteúdos e campanhas tinham, em comum, teores que induzem a população a um pensamento exagerado sobre orgulho da nação, além de “prezar pela moral e bons costumes”. Emblemático à época, o discurso “Brasil: ame ou deixe-o” foi um dos ‘slogans’ usados na construção desse discurso. 

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A situação entre governo e imprensa se agravou quando, em janeiro do ano seguinte, Médici decretou a Lei 077, que determinava que, se um jornal descumprisse a medida - com uma série de proibições sobre o teor das notícias - seria multado e teria que pagar pela incineração de todos os exemplares publicados com a informação proibida. Fora a possibilidade de prisão, tortura e retaliações à comunicadores e gestores de empresas de comunicação da época. 

Fato curioso é que, para não "arruinar a imagem do país”, o governo chegou a proibir notícias sobre a grande crise de meningite sofrida nos anos 70 no Brasil. Preocupado com seu plano econômico para época, Médici preferia esconder o número de vítimas e o descontrole com a doença na nação para não ter interferências sobre investimentos internos e externos. 

A gestão de Médice representou a repressão de debates importantes para a população negra, como o racismo, o que se seguiu durante os anos de ditadura militar no país. Sem dúvida, um período que até hoje reverbera e influenciou diretamente na manutenção de uma sociedade estruturalmente desigual.  

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